Segunda-feira, Abril 28, 2008
Cinismo
Não, eu não vou falar sobre o caso da menina que foi atirada pela janela.
Tem gente demais dando palpite e eu não preciso dar o meu.
Sempre que eu acho que cheguei ao ponto máximo, ao ápice da minha capacidade de me surpreender vem alguém e me mostra que sempre posso ir mais longe.
Tem gente de uma cara de pau, de um tanto de cinismo que faz a gente pensar que a palavra IDIOTA deva mesmo estar gravada na nossa testa e só o nosso espelho não mostra.
Mas eu continuo repetindo o mantra "se necessário for sentar-me-ei à beira do rio e esperarei passar o cadáver daqueles que me desejam (ou fazem) o mal".
Tem gente demais dando palpite e eu não preciso dar o meu.
Sempre que eu acho que cheguei ao ponto máximo, ao ápice da minha capacidade de me surpreender vem alguém e me mostra que sempre posso ir mais longe.
Tem gente de uma cara de pau, de um tanto de cinismo que faz a gente pensar que a palavra IDIOTA deva mesmo estar gravada na nossa testa e só o nosso espelho não mostra.
Mas eu continuo repetindo o mantra "se necessário for sentar-me-ei à beira do rio e esperarei passar o cadáver daqueles que me desejam (ou fazem) o mal".
Day by day
Sábado eu fui a SP no café com as estrelas e foi tão gostoso beijar e abraçar minhas amigas, rir e depois foi tão bom ver a Naty, experimentar a roupa que vou ao casório da PC, brincar com os cachorros e assistir filme com ela, as duas deitadas na cama dando pitacos sobre como achavamos que o personagem deveria se comportar.
Estava tão bom!
A noite o Regi ligou pra me lembrar da pizza e eu ia dizer que não iria mas ele disse "sem desculpa" e eu fui!
E foi um monte de gente amiga, inclusive a Tica com o Pedro e estava tão bom.
E domingo eu fiquei um tempão com meu filho, conversamos, rimos, ficamos na fila da Vivo e mesmo ele tendo me levado pro shopping num domingo posso dizer que estava tão bom.
E minha filhinha não veio pra casa nesse fim de semana e fez falta mas eu sinto tanto orgulho em vê-la batalhando pelos seus sonhos, concretizando seus projetos.
Isso é tão bom!
Eu dizia pra Fal no sábado que meus filhos com 19 e 21 anos sabem tão bem o que querem, traçam seus projetos com tanta firmeza, com tanta determinação que eu me pergunto se eles realmente sairam de mim porque eu com a idade deles era tão perdida.
Aos 21 eu fazia faculdade sem a menor convicção de que estudava algo que gostava.
Pior ainda, eu me formei sem essa convicção.
Minha vida nunca teve o menor planejamento. Sempre fui levando e fui levada.
Podem me chamar de babona, de mãe coruja mas eu tenho um orgulho imenso deles.
Essas coisas tão boas, meus amigos, meus filhos, me seguram. Me dão o apoio necessário pra enfrentar o que de ruim venha porque é impressionante como o mundo está doente. Como tem gente ruim, como o que mais se vê são ratos travestidos de humanos.
Obrigada aos meus amigos, obrigada aos meus filhos, obrigada a minha familia por me darem alguma esperança de que um mundo melhor realmente possa acontecer.
Estava tão bom!
A noite o Regi ligou pra me lembrar da pizza e eu ia dizer que não iria mas ele disse "sem desculpa" e eu fui!
E foi um monte de gente amiga, inclusive a Tica com o Pedro e estava tão bom.
E domingo eu fiquei um tempão com meu filho, conversamos, rimos, ficamos na fila da Vivo e mesmo ele tendo me levado pro shopping num domingo posso dizer que estava tão bom.
E minha filhinha não veio pra casa nesse fim de semana e fez falta mas eu sinto tanto orgulho em vê-la batalhando pelos seus sonhos, concretizando seus projetos.
Isso é tão bom!
Eu dizia pra Fal no sábado que meus filhos com 19 e 21 anos sabem tão bem o que querem, traçam seus projetos com tanta firmeza, com tanta determinação que eu me pergunto se eles realmente sairam de mim porque eu com a idade deles era tão perdida.
Aos 21 eu fazia faculdade sem a menor convicção de que estudava algo que gostava.
Pior ainda, eu me formei sem essa convicção.
Minha vida nunca teve o menor planejamento. Sempre fui levando e fui levada.
Podem me chamar de babona, de mãe coruja mas eu tenho um orgulho imenso deles.
Essas coisas tão boas, meus amigos, meus filhos, me seguram. Me dão o apoio necessário pra enfrentar o que de ruim venha porque é impressionante como o mundo está doente. Como tem gente ruim, como o que mais se vê são ratos travestidos de humanos.
Obrigada aos meus amigos, obrigada aos meus filhos, obrigada a minha familia por me darem alguma esperança de que um mundo melhor realmente possa acontecer.
Quinta-feira, Abril 24, 2008
A base
Hoje passei por uma experiência no mínimo curiosa com uma menina de 9 anos de idade.
Ela normalmente é uma criança dificil em sala de aula, não participa, não faz as tarefas.
A professora da sala a colocou numa das primeiras carteiras para tentar motivá-la.
Começo a aula e ela está com um livro de colorir sobre a carteira, colorindo. Digo que a aula já começou e peço que ela feche o livro e pegue o livro de ingles.
Ela nem se mexe e continua colorindo. Volto a pedir que ela pegue o livro de ingles e guarde o outro.
Fazendo cara de "saco cheio" ela pega o livro de ingles e coloca o de colorir por cima e continua colorindo.
Mando guardar o livro de colorir novamente e ela guarda.
Na minha primeira distração ela coloca a apostila de ciencias em cima do livro de ingles. Falo para ela guardar a apostila e ela me diz que odeia inglês e eu argumento com ela, baixinho, no pé do ouvido, que eu posso aceitar que ela não goste de inglês mas que faz parte das matérias da escola e que comigo ou com outra pessoa ela vai ter que estudar. Ainda com todo carinho peço a ela que dê uma chance pra gostar da matéria.
Ela guarda a apostila de ciencias e fica com o livro de inglês sobre a mesa.
Continuo com a aula e quando vejo ela guardou todo material de inglês na pasta e colocou o livro de colorir de novo sobre a carteira.
Não tive dúvidas: chamei a professora e pedi que a menina fosse levada para a coordenação (no meu tempo era a diretoria).
Uma criança de 9 anos de idade que desafia a autoridade do professor dessa forma claramente não tem limites em casa. Não conhece a palavra limite.
Que ela tivesse me desafiado duas vezes já seria muito mas ela realmente me enfrentou.
Fiquei pasma e passada porque posso entender que adolescentes se rebelem contra autoridades mas uma criança?
No fim da aula ela voltou com cara de choro e sentou-se e colocou o livro de ingles sobre a carteira e fingiu acompanhar a aula.
Quando eu terminei e disse "goodbye" ela falou bem alto que ia rasgar o livro de inglês.
Achei melhor fingir que não tinha ouvido.
Na revista Veja dessa semana tem uma matéria muito interessante sobre familias e a falta de estrutura que nos cerca.
Dá medo!
Psicanálise"A família está acabando"
O psicanalista francês Charles Melman, de 76 anos, foi íntimo colaborador de Jacques Lacan (1901-1981), o principal herdeiro de Sigmund Freud na França. Atento observador da realidade contemporânea, Melman usa os conceitos da psicanálise para interpretar as mudanças em curso na sociedade atual, como a dissolução do núcleo familiar. "Pela primeira vez na história, a instituição familiar está desaparecendo, e as conseqüências são imprevisíveis. Impressiona que antropólogos e sociólogos não se interessem por isso", diz. A maneira original como ele aborda as transformações sociais o coloca na condição de um dos maiores nomes da psicanálise atualmente. Melman estará no Rio de Janeiro nesta semana para participar de um seminário promovido pela associação psicanalítica Tempo Freudiano e para lançar seu mais recente livro, A Prática Psicanalítica Hoje. De Paris, onde mora, Melman conversou com o repórter Ronaldo Soares, da sucursal do Rio de Janeiro de VEJA. Seguem os principais pontos da entrevista.
FIM DA FAMÍLIA – Assistimos hoje a um acontecimento que talvez não tenha precedente na história, que é a dissolução do grupo familiar. Pela primeira vez a instituição familiar está desaparecendo, e as conseqüências são imprevisíveis. Impressiona-me que os sociólogos e antropólogos não se interessem muito por esse fenômeno. Nesse processo, podemos constatar que o papel de autoridade do pai foi definitivamente demolido. Antes, o menino tinha na figura do pai um rival e um modelo. Um rival que despertava nele o gosto pela competição e um modelo na busca do prazer sexual. Já para a menina, tratava-se de um homem em quem ela procurava se completar. Hoje, com o declínio da figura paterna, nossos jovens podem estar menos propensos a batalhar pelo sucesso, a estabelecer um ideal de vida e até a descobrir o gosto pelo sexo.
JOVENS NO DIVÃ – Fico surpreso quando constato que, se há uma clientela interessada e engajada na psicanálise hoje em dia, é a dos jovens dos 18 aos 30 anos. Eles não procuram o psicanalista pelo fato de reprimirem seus desejos, mas porque não sabem o que desejam. É uma situação totalmente original em relação a Freud. Antes, a pessoa recorria à psicanálise porque não ousava realizar seus desejos. Hoje, principalmente no caso dos jovens, é por não saber o que desejar. Isso acontece porque nossos jovens foram criados em condições que promovem a busca rápida do prazer máximo e sem obrigações. O problema é que essa forma de lidar com o desejo produz situações de dificuldade para os jovens. Isso os leva ao divã.
BUSCA DO PRAZER – Muitos jovens encontram dificuldade para desenvolver plenamente uma vida sexual. Isso parece paradoxal, porque hoje em dia o sexo é muito acessível. Mas na verdade essa facilidade leva à busca de uma vida sexual sem compromisso, que proporcione um prazer ocasional, como o cinema, a bebida ou a dança. Há aí uma mudança interessante, talvez uma tentativa de se proteger em relação ao compromisso que uma vida sexual pode evocar. A idéia é aproveitar sem se engajar, mas isso impõe uma questão: eles aproveitam plenamente? Esse é o fenômeno que chamei de nova economia psíquica. Ele é fundado sobre o princípio da busca imediata de prazer máximo, sem freios nem restrições. Esses momentos de prazer, que proporcionam uma satisfação profunda, são vividos, mas não organizam a existência, nem o futuro. Ou seja, a existência é feita de uma sucessão de momentos sem nenhuma projeção no futuro, de momentos que podem desaparecer porque não terão continuidade.
EXISTÊNCIA VIRTUAL – O mundo virtual proporcionado pela internet faz sucesso por se tratar de um mundo lúdico. É um mundo coerente com a maneira de viver dos jovens, não exige engajamento nem compromisso. Ali qualquer um pode viver uma série de vidas sucessivas sem nenhum compromisso definitivo. As pessoas querem se distanciar da realidade não porque ela seja assustadora ou sem-graça, mas porque ela implica sempre um limite. Além disso, a realidade requer uma identidade, um objetivo mais ou menos claro na vida, ao passo que esses exercícios virtuais não pressupõem nenhuma identidade, nenhuma perspectiva e ainda derrubam todos os limites, incluindo os do pudor e da polidez.
TERAPIAS BREVES X PSICANÁLISE – A psicanálise não busca nenhum tipo de cura, não se propõe a isso. Está, portanto, na contramão da medicina, cuja história é rica em experiências baseadas na cura, com métodos variados. Alguns desses métodos, até pelos efeitos de sugestão, não são ineficazes. Mas é preciso saber se nós preferimos os métodos fundados sobre a sugestão ou se consideramos que é melhor privilegiar a livre atitude e o pensamento de cada pessoa, e assim estimular nela sua autonomia de julgamento. Nos períodos de crise moral, como o atual, proliferam os métodos que prometem a cura. Aos que escolhem esse caminho, só me resta desejar boa sorte.
ANTIDEPRESSIVOS E TRANQÜILIZANTES – A saúde hoje é algo que se calcula em bilhões de dólares. É compreensível e até inevitável que os laboratórios estimulem o alto consumo de medicamentos como os psicotrópicos. A questão é que a hipermedicalização apresenta muito mais riscos do que vantagens. No caso das crianças, por exemplo, isso fica evidente. Sobretudo no que diz respeito ao uso precoce, recomendado pelos laboratórios, de neurolépticos (inibidores de distúrbios psicóticos). Esses medicamentos vêm sendo utilizados nas crianças para tratar distúrbios de personalidade ou combater problemas como insônia ou falta de apetite, entre outras coisas. Trata-se de algo absolutamente condenável, com implicações nefastas tanto sobre o desenvolvimento quanto sobre o estado físico da criança. Outra conseqüência grave da hipermedicalização é a predisposição do indivíduo para desenvolver dependência química. Primeiro, de remédios. Mas em seguida, possivelmente, de produtos fora do mercado legal. Com isso, poderemos chegar ao ponto em que a dependência vai parecer uma situação absolutamente normal, porque em muitos casos terá começado na infância.
PROZAC X FREUD – O Prozac e as idéias de Freud convivem. Às vezes de forma harmoniosa, às vezes não. A questão é: será que devemos apostar em um procedimento que vai tratar o conjunto dos problemas psíquicos pelas drogas? Ou devemos continuar a levar em conta, primeiramente, a livre escolha do sujeito e, em segundo lugar, o próprio papel do corpo? Nesse sentido, um produto como o Prozac desencadeia um curto-circuito. Dou um exemplo. Digamos que surja amanhã uma droga que, agindo sobre os centros cerebrais, produza um prazer sexual bem superior ao que se pode obter com o corpo. O que vamos preferir? Isso ou um acesso ao prazer sexual que continua a passar pelo corpo, mesmo não tendo a mesma qualidade do que pode ser proporcionado pela droga que atua diretamente sobre o cérebro? Eis o tipo de questão que o Prozac traz.
Ela normalmente é uma criança dificil em sala de aula, não participa, não faz as tarefas.
A professora da sala a colocou numa das primeiras carteiras para tentar motivá-la.
Começo a aula e ela está com um livro de colorir sobre a carteira, colorindo. Digo que a aula já começou e peço que ela feche o livro e pegue o livro de ingles.
Ela nem se mexe e continua colorindo. Volto a pedir que ela pegue o livro de ingles e guarde o outro.
Fazendo cara de "saco cheio" ela pega o livro de ingles e coloca o de colorir por cima e continua colorindo.
Mando guardar o livro de colorir novamente e ela guarda.
Na minha primeira distração ela coloca a apostila de ciencias em cima do livro de ingles. Falo para ela guardar a apostila e ela me diz que odeia inglês e eu argumento com ela, baixinho, no pé do ouvido, que eu posso aceitar que ela não goste de inglês mas que faz parte das matérias da escola e que comigo ou com outra pessoa ela vai ter que estudar. Ainda com todo carinho peço a ela que dê uma chance pra gostar da matéria.
Ela guarda a apostila de ciencias e fica com o livro de inglês sobre a mesa.
Continuo com a aula e quando vejo ela guardou todo material de inglês na pasta e colocou o livro de colorir de novo sobre a carteira.
Não tive dúvidas: chamei a professora e pedi que a menina fosse levada para a coordenação (no meu tempo era a diretoria).
Uma criança de 9 anos de idade que desafia a autoridade do professor dessa forma claramente não tem limites em casa. Não conhece a palavra limite.
Que ela tivesse me desafiado duas vezes já seria muito mas ela realmente me enfrentou.
Fiquei pasma e passada porque posso entender que adolescentes se rebelem contra autoridades mas uma criança?
No fim da aula ela voltou com cara de choro e sentou-se e colocou o livro de ingles sobre a carteira e fingiu acompanhar a aula.
Quando eu terminei e disse "goodbye" ela falou bem alto que ia rasgar o livro de inglês.
Achei melhor fingir que não tinha ouvido.
Na revista Veja dessa semana tem uma matéria muito interessante sobre familias e a falta de estrutura que nos cerca.
Dá medo!
Psicanálise"A família está acabando"
O psicanalista francês Charles Melman, de 76 anos, foi íntimo colaborador de Jacques Lacan (1901-1981), o principal herdeiro de Sigmund Freud na França. Atento observador da realidade contemporânea, Melman usa os conceitos da psicanálise para interpretar as mudanças em curso na sociedade atual, como a dissolução do núcleo familiar. "Pela primeira vez na história, a instituição familiar está desaparecendo, e as conseqüências são imprevisíveis. Impressiona que antropólogos e sociólogos não se interessem por isso", diz. A maneira original como ele aborda as transformações sociais o coloca na condição de um dos maiores nomes da psicanálise atualmente. Melman estará no Rio de Janeiro nesta semana para participar de um seminário promovido pela associação psicanalítica Tempo Freudiano e para lançar seu mais recente livro, A Prática Psicanalítica Hoje. De Paris, onde mora, Melman conversou com o repórter Ronaldo Soares, da sucursal do Rio de Janeiro de VEJA. Seguem os principais pontos da entrevista.
FIM DA FAMÍLIA – Assistimos hoje a um acontecimento que talvez não tenha precedente na história, que é a dissolução do grupo familiar. Pela primeira vez a instituição familiar está desaparecendo, e as conseqüências são imprevisíveis. Impressiona-me que os sociólogos e antropólogos não se interessem muito por esse fenômeno. Nesse processo, podemos constatar que o papel de autoridade do pai foi definitivamente demolido. Antes, o menino tinha na figura do pai um rival e um modelo. Um rival que despertava nele o gosto pela competição e um modelo na busca do prazer sexual. Já para a menina, tratava-se de um homem em quem ela procurava se completar. Hoje, com o declínio da figura paterna, nossos jovens podem estar menos propensos a batalhar pelo sucesso, a estabelecer um ideal de vida e até a descobrir o gosto pelo sexo.
JOVENS NO DIVÃ – Fico surpreso quando constato que, se há uma clientela interessada e engajada na psicanálise hoje em dia, é a dos jovens dos 18 aos 30 anos. Eles não procuram o psicanalista pelo fato de reprimirem seus desejos, mas porque não sabem o que desejam. É uma situação totalmente original em relação a Freud. Antes, a pessoa recorria à psicanálise porque não ousava realizar seus desejos. Hoje, principalmente no caso dos jovens, é por não saber o que desejar. Isso acontece porque nossos jovens foram criados em condições que promovem a busca rápida do prazer máximo e sem obrigações. O problema é que essa forma de lidar com o desejo produz situações de dificuldade para os jovens. Isso os leva ao divã.
BUSCA DO PRAZER – Muitos jovens encontram dificuldade para desenvolver plenamente uma vida sexual. Isso parece paradoxal, porque hoje em dia o sexo é muito acessível. Mas na verdade essa facilidade leva à busca de uma vida sexual sem compromisso, que proporcione um prazer ocasional, como o cinema, a bebida ou a dança. Há aí uma mudança interessante, talvez uma tentativa de se proteger em relação ao compromisso que uma vida sexual pode evocar. A idéia é aproveitar sem se engajar, mas isso impõe uma questão: eles aproveitam plenamente? Esse é o fenômeno que chamei de nova economia psíquica. Ele é fundado sobre o princípio da busca imediata de prazer máximo, sem freios nem restrições. Esses momentos de prazer, que proporcionam uma satisfação profunda, são vividos, mas não organizam a existência, nem o futuro. Ou seja, a existência é feita de uma sucessão de momentos sem nenhuma projeção no futuro, de momentos que podem desaparecer porque não terão continuidade.
EXISTÊNCIA VIRTUAL – O mundo virtual proporcionado pela internet faz sucesso por se tratar de um mundo lúdico. É um mundo coerente com a maneira de viver dos jovens, não exige engajamento nem compromisso. Ali qualquer um pode viver uma série de vidas sucessivas sem nenhum compromisso definitivo. As pessoas querem se distanciar da realidade não porque ela seja assustadora ou sem-graça, mas porque ela implica sempre um limite. Além disso, a realidade requer uma identidade, um objetivo mais ou menos claro na vida, ao passo que esses exercícios virtuais não pressupõem nenhuma identidade, nenhuma perspectiva e ainda derrubam todos os limites, incluindo os do pudor e da polidez.
TERAPIAS BREVES X PSICANÁLISE – A psicanálise não busca nenhum tipo de cura, não se propõe a isso. Está, portanto, na contramão da medicina, cuja história é rica em experiências baseadas na cura, com métodos variados. Alguns desses métodos, até pelos efeitos de sugestão, não são ineficazes. Mas é preciso saber se nós preferimos os métodos fundados sobre a sugestão ou se consideramos que é melhor privilegiar a livre atitude e o pensamento de cada pessoa, e assim estimular nela sua autonomia de julgamento. Nos períodos de crise moral, como o atual, proliferam os métodos que prometem a cura. Aos que escolhem esse caminho, só me resta desejar boa sorte.
ANTIDEPRESSIVOS E TRANQÜILIZANTES – A saúde hoje é algo que se calcula em bilhões de dólares. É compreensível e até inevitável que os laboratórios estimulem o alto consumo de medicamentos como os psicotrópicos. A questão é que a hipermedicalização apresenta muito mais riscos do que vantagens. No caso das crianças, por exemplo, isso fica evidente. Sobretudo no que diz respeito ao uso precoce, recomendado pelos laboratórios, de neurolépticos (inibidores de distúrbios psicóticos). Esses medicamentos vêm sendo utilizados nas crianças para tratar distúrbios de personalidade ou combater problemas como insônia ou falta de apetite, entre outras coisas. Trata-se de algo absolutamente condenável, com implicações nefastas tanto sobre o desenvolvimento quanto sobre o estado físico da criança. Outra conseqüência grave da hipermedicalização é a predisposição do indivíduo para desenvolver dependência química. Primeiro, de remédios. Mas em seguida, possivelmente, de produtos fora do mercado legal. Com isso, poderemos chegar ao ponto em que a dependência vai parecer uma situação absolutamente normal, porque em muitos casos terá começado na infância.
PROZAC X FREUD – O Prozac e as idéias de Freud convivem. Às vezes de forma harmoniosa, às vezes não. A questão é: será que devemos apostar em um procedimento que vai tratar o conjunto dos problemas psíquicos pelas drogas? Ou devemos continuar a levar em conta, primeiramente, a livre escolha do sujeito e, em segundo lugar, o próprio papel do corpo? Nesse sentido, um produto como o Prozac desencadeia um curto-circuito. Dou um exemplo. Digamos que surja amanhã uma droga que, agindo sobre os centros cerebrais, produza um prazer sexual bem superior ao que se pode obter com o corpo. O que vamos preferir? Isso ou um acesso ao prazer sexual que continua a passar pelo corpo, mesmo não tendo a mesma qualidade do que pode ser proporcionado pela droga que atua diretamente sobre o cérebro? Eis o tipo de questão que o Prozac traz.
Quarta-feira, Abril 23, 2008
Capacitação = cansaço extremo
A cada semana que nós vamos a SP para a capacitação chegamos de volta mais exauridas do que na vez anterior.
O apelido dele deveria ser aspirador de energia!
O apelido dele deveria ser aspirador de energia!
Meu Pai
Se meu pai fosse vivo estaria fazendo 99 anos hoje.
Incrível pensar que eu poderia ter um pai dessa idade.
Mas também, ele foi pai aos 48 anos pela primeira vez e aos 52 pela segunda.
E dizendo a cada filho que a última coisa que ele queria na vida era ter sido pai. Talvez por isso ele pouco o tenha sido.
Enfim...
Incrível pensar que eu poderia ter um pai dessa idade.
Mas também, ele foi pai aos 48 anos pela primeira vez e aos 52 pela segunda.
E dizendo a cada filho que a última coisa que ele queria na vida era ter sido pai. Talvez por isso ele pouco o tenha sido.
Enfim...
Segunda-feira, Abril 21, 2008
Meu querido R.
Eu deveria escrever um email pra vc mas não sei se aquele que tenho é verdadeiro de tão absurdo que ele me parece.
Enfim, vai por aqui mesmo.
Você está sentido comigo e com razão. Eu nunca ligo e nunca planejo fazer nada. Fico sempre esperando vocês ligarem.
É verdade.
Passei o feriado saindo de casa para ir ao supermercado, ou a Real e fui almoçar na Costela do Japones com meus filhos. E só.
Não sei se comentei com você mas até 2002 eu era uma tremenda baladeira. Saia muito. Ia pra São Paulo pra sair com minha prima e mesmo aqui eu saia com amigas. Resumindo: eu era normal.
De repente, em junho de 2002 eu tive um problema com uma amiga, coisa boba, tão boba que hoje nós somos amigas ainda, e a partir dai eu comecei a não sair mais de casa.
A coisa foi piorando e piorando e no fim eu só saia para trabalhar.
As pessoas me ligavam convidando pra sair mas eu nunca aceitava. Sempre tinha uma desculpa mais esfarrapada que a outra.
No fim as pessoas começaram a deixar de ligar e eu fiquei sozinha.
Isso durou até 2006, quando em março eu não quis mais ir trabalhar e ai ficou claro que eu tinha um baita problema.
Comecei tratamento pra depressão. Medicamentoso com psiquiatra e terapia com a psicóloga.
O tratamento fez efeito e eu melhorava aos poucos e acho que foi mais ou menos por ai que nós nos conhecemos.
No ano passado eu estava bem melhor mas esse ano eu tive que parar a terapia e agora eu estou vendo que vou me trancando em casa novamente.
Não é que eu não queira sair. É que se tiver que partir de mim eu acabo não fazendo.
Sei que não parece lógico. Mas...nada é lógico.
Todas as vezes que vc me convidou e eu recusei ou não apareci foi por causa disso.
Eu não fui ao seu aniversário mesmo tendo planejado ir meses antes. Não fui ao niver da Cintia.
Pra ir ao aniversário da Tica no ano passado foi um parto. Eu fico "vou! não vou! vou!não vou!".
Quando o Pedro nasceu eu fui lá, no fim de semana, e ma consegui ficar 15 minutos. Angustiei e não queria que ela percebesse.
Isso não é só com vocês não.
Minha amigas em São Paulo fizeram um encontro e veio gente de todo lugar e eu...amarelei e com a desculpa de que ia gastar gasolina, pedágio, e outros tantos me convenci que era melhor ficar em casa.
Agora em maio eu tenho um casamento em Santa Catarina e pra ter certeza absoluta que eu não ia dar pra trás eu vou levar a minha filha. Assim ela, que sabe como eu me sinto, não vai deixar eu arrumar nenhuma desculpa pra não ir..
Eu gosto muito, mas muito de você e do M. Muito mesmo.
Por favor não desista de mim.
Por favor não fique chateado comigo.
Aproveito e peço a outros amigos que estão lendo esse desabafo em forma de carta pra me perdoarem por todas as mancadas que dou.
Eu vou melhorar.
Não sei se vou voltar a ser baladeira, festeira, aquela que toma tequila e faz concurso de beijo (você sabe do que estou falando) mas pelo menos ser uma pessoa normal.
Cuide-se.
Beijos
Gi
Enfim, vai por aqui mesmo.
Você está sentido comigo e com razão. Eu nunca ligo e nunca planejo fazer nada. Fico sempre esperando vocês ligarem.
É verdade.
Passei o feriado saindo de casa para ir ao supermercado, ou a Real e fui almoçar na Costela do Japones com meus filhos. E só.
Não sei se comentei com você mas até 2002 eu era uma tremenda baladeira. Saia muito. Ia pra São Paulo pra sair com minha prima e mesmo aqui eu saia com amigas. Resumindo: eu era normal.
De repente, em junho de 2002 eu tive um problema com uma amiga, coisa boba, tão boba que hoje nós somos amigas ainda, e a partir dai eu comecei a não sair mais de casa.
A coisa foi piorando e piorando e no fim eu só saia para trabalhar.
As pessoas me ligavam convidando pra sair mas eu nunca aceitava. Sempre tinha uma desculpa mais esfarrapada que a outra.
No fim as pessoas começaram a deixar de ligar e eu fiquei sozinha.
Isso durou até 2006, quando em março eu não quis mais ir trabalhar e ai ficou claro que eu tinha um baita problema.
Comecei tratamento pra depressão. Medicamentoso com psiquiatra e terapia com a psicóloga.
O tratamento fez efeito e eu melhorava aos poucos e acho que foi mais ou menos por ai que nós nos conhecemos.
No ano passado eu estava bem melhor mas esse ano eu tive que parar a terapia e agora eu estou vendo que vou me trancando em casa novamente.
Não é que eu não queira sair. É que se tiver que partir de mim eu acabo não fazendo.
Sei que não parece lógico. Mas...nada é lógico.
Todas as vezes que vc me convidou e eu recusei ou não apareci foi por causa disso.
Eu não fui ao seu aniversário mesmo tendo planejado ir meses antes. Não fui ao niver da Cintia.
Pra ir ao aniversário da Tica no ano passado foi um parto. Eu fico "vou! não vou! vou!não vou!".
Quando o Pedro nasceu eu fui lá, no fim de semana, e ma consegui ficar 15 minutos. Angustiei e não queria que ela percebesse.
Isso não é só com vocês não.
Minha amigas em São Paulo fizeram um encontro e veio gente de todo lugar e eu...amarelei e com a desculpa de que ia gastar gasolina, pedágio, e outros tantos me convenci que era melhor ficar em casa.
Agora em maio eu tenho um casamento em Santa Catarina e pra ter certeza absoluta que eu não ia dar pra trás eu vou levar a minha filha. Assim ela, que sabe como eu me sinto, não vai deixar eu arrumar nenhuma desculpa pra não ir..
Eu gosto muito, mas muito de você e do M. Muito mesmo.
Por favor não desista de mim.
Por favor não fique chateado comigo.
Aproveito e peço a outros amigos que estão lendo esse desabafo em forma de carta pra me perdoarem por todas as mancadas que dou.
Eu vou melhorar.
Não sei se vou voltar a ser baladeira, festeira, aquela que toma tequila e faz concurso de beijo (você sabe do que estou falando) mas pelo menos ser uma pessoa normal.
Cuide-se.
Beijos
Gi
Lembranças, memories, souvenirs
Foi em 2001, eu não me lembro que feriado era mas com certeza era feriado prolongado e pra variar nós nos reunimos na casa da Betty em Vargem Grande.
Diferentemente da Vargem a casa não era grande mas ela parecia coração de mãe e quantos chegassem quantos lá dormiam. (Até um cavalo né Betinha?).
Um monte de cachorros, música sempre muito alta, um monte de gente na cozinha e risos. Meu Deus como ríamos de tudo.
A noite, depois de um dia de comilança e muita bebida, já bem tarde, fomos dormir.
Isso era feito onde dava. Ou seja, alguns na cama dela, outros pelos colchonetes pelo chão, mais dois no quartinho de computador, alguns pelos sofás e mais gente pelos colchonetes no chão da sala.
Nunca vou me esquecer que o único lugar que sobrou pra colocar meu colchonete foi embaixo da mesa da sala de jantar (que era junto da de visitas) e o tampo da mesa era de vidro e eu ficava tentando me lembrar disso pra não sentar de repente e meter a cabeça no vidro.
O Glauco (filho do queridissimo Carlos e que já não está mais aqui na Terra) colocou o colchonete dele não muito longe do meu e a gente ria e ele falava que esperava que eu não roncasse nem tivesse chulé.
Os que dormiam nos quartos de portas abertas pra coisa ficar assim bem um tremendo dormitório.
Lá pelas tantas, luzes apagadas, o maior silencio e a Helô (mulher do Fábio) e o próprio deitados cada um num sofa separados pela mesinha e centro fazem o dialógo mais divertido do mundo.
Helô fala : - Boa noite John Boy.
Fábio: - Boa noite Mary Ellen.
A casa veio abaixo. A gente ria de chorar.
Pra quem não sabe do que eu estou falando era um seriado de TV chamado "Os Waltons" e invariavelmente terminava sempre com os irmão falando boa noite uns para os outros, e eles eram 12.
Depois disso ninguém mais conseguiu dormir antes do dia amanhecer.
Foi tão bom...
Diferentemente da Vargem a casa não era grande mas ela parecia coração de mãe e quantos chegassem quantos lá dormiam. (Até um cavalo né Betinha?).
Um monte de cachorros, música sempre muito alta, um monte de gente na cozinha e risos. Meu Deus como ríamos de tudo.
A noite, depois de um dia de comilança e muita bebida, já bem tarde, fomos dormir.
Isso era feito onde dava. Ou seja, alguns na cama dela, outros pelos colchonetes pelo chão, mais dois no quartinho de computador, alguns pelos sofás e mais gente pelos colchonetes no chão da sala.
Nunca vou me esquecer que o único lugar que sobrou pra colocar meu colchonete foi embaixo da mesa da sala de jantar (que era junto da de visitas) e o tampo da mesa era de vidro e eu ficava tentando me lembrar disso pra não sentar de repente e meter a cabeça no vidro.
O Glauco (filho do queridissimo Carlos e que já não está mais aqui na Terra) colocou o colchonete dele não muito longe do meu e a gente ria e ele falava que esperava que eu não roncasse nem tivesse chulé.
Os que dormiam nos quartos de portas abertas pra coisa ficar assim bem um tremendo dormitório.
Lá pelas tantas, luzes apagadas, o maior silencio e a Helô (mulher do Fábio) e o próprio deitados cada um num sofa separados pela mesinha e centro fazem o dialógo mais divertido do mundo.
Helô fala : - Boa noite John Boy.
Fábio: - Boa noite Mary Ellen.
A casa veio abaixo. A gente ria de chorar.
Pra quem não sabe do que eu estou falando era um seriado de TV chamado "Os Waltons" e invariavelmente terminava sempre com os irmão falando boa noite uns para os outros, e eles eram 12.
Depois disso ninguém mais conseguiu dormir antes do dia amanhecer.
Foi tão bom...
Quinta-feira, Abril 17, 2008
Minha tia Alice, que tem 90 anos, ia toda semana ao bingo.
Ela ia aos sábados e domingos mas apenas nesses dias porque "não queria ficar viciada".
Quando ela me perguntava se eu gostava de bingo eu respondia que não e ela me explicava que lá dentro ela não pensava em nada. Toda atenção estava em escutar os números que eram cantados e verificar na cartela.
Durante algumas horas era como se ela estivesse anestesiada.
Jogar paciência no computador ou Mah Jong tem esse efeito sobre mim.
Enquanto estou jogando é como se eu tivesse me desligado da realidade. Com se nenhum pensamento passasse pela cabeça.
Depois que os bingos fecharam a coitada só tem como diversão arrumar dores imaginárias e ir ao médico.
Tiraram o ópio dos velhinhos e não deram nada para compensá-los.
Ela ia aos sábados e domingos mas apenas nesses dias porque "não queria ficar viciada".
Quando ela me perguntava se eu gostava de bingo eu respondia que não e ela me explicava que lá dentro ela não pensava em nada. Toda atenção estava em escutar os números que eram cantados e verificar na cartela.
Durante algumas horas era como se ela estivesse anestesiada.
Jogar paciência no computador ou Mah Jong tem esse efeito sobre mim.
Enquanto estou jogando é como se eu tivesse me desligado da realidade. Com se nenhum pensamento passasse pela cabeça.
Depois que os bingos fecharam a coitada só tem como diversão arrumar dores imaginárias e ir ao médico.
Tiraram o ópio dos velhinhos e não deram nada para compensá-los.
Disse a Fal no LV do blog dela que dá pra sentir a dor de tantas maneiras que daria pra escrever um livro sobre isso.
Eu junto que dá pra ser infeliz de tantas maneiras que daria outro livro.
Sonhei com Eric.
Imagine eu contando pra ele como haviam sido os últimos 12 anos...e ele me olhando aparvalhado, como se não soubesse onde tinha estado todo esse tempo.
Estou tão cansada de tudo...
Eu junto que dá pra ser infeliz de tantas maneiras que daria outro livro.
Sonhei com Eric.
Imagine eu contando pra ele como haviam sido os últimos 12 anos...e ele me olhando aparvalhado, como se não soubesse onde tinha estado todo esse tempo.
Estou tão cansada de tudo...
Quarta-feira, Abril 16, 2008
Minha filha
Minha filha ontem me deu um presente e um cartão onde ela escreveu as coisas mais lindas, mais emocionantes que uma mãe possa ler.
Ela é o tesouro mais precioso que posso ter e faz a minha vida valer a pena.
Obrigada meu amor!
Ela é o tesouro mais precioso que posso ter e faz a minha vida valer a pena.
Obrigada meu amor!
Energia, please!
Estou apavorada em pensar que estamos em abril e meu corpo se comporta como se já tivesse trabalhado um ano inteiro.
Tenho medo de admitir o que me parece estar acontecendo: a deprê ta de volta.
Voltaram aqueles dias em que sair da cama é uma verdadeira tortura.
Voltei a inventar as desculpas mais esfarrapadas possiveis pra não sair de casa, não ver amigos, não cuidar de mim.
Engordei.
To chorona e vendo o lado negro de tudo.
Isso me apavora porque dessa vez eu não tenho como pagar terapia. Não tem! Não tem jeito. Não adianta querer espremer que não tem mais de onde sair.
Vou ter que me curar sozinha. Vou ter que olhar lá dentro de mim e achar vontade, achar força, achar animo e mais do que tudo achar alegria.
Eu sei que sou a responsável por tudo isso porque assumi mais aulas do que aguento dar. Mas o que fazer se eu preciso da grana?
Trabalhar de manhã, a tarde e a noite é barra.
Ainda bem que eu tive o bom senso desse ano não dar aulas aos sábados.
Enfim...tudo passa e isso vai passar também.
Tenho medo de admitir o que me parece estar acontecendo: a deprê ta de volta.
Voltaram aqueles dias em que sair da cama é uma verdadeira tortura.
Voltei a inventar as desculpas mais esfarrapadas possiveis pra não sair de casa, não ver amigos, não cuidar de mim.
Engordei.
To chorona e vendo o lado negro de tudo.
Isso me apavora porque dessa vez eu não tenho como pagar terapia. Não tem! Não tem jeito. Não adianta querer espremer que não tem mais de onde sair.
Vou ter que me curar sozinha. Vou ter que olhar lá dentro de mim e achar vontade, achar força, achar animo e mais do que tudo achar alegria.
Eu sei que sou a responsável por tudo isso porque assumi mais aulas do que aguento dar. Mas o que fazer se eu preciso da grana?
Trabalhar de manhã, a tarde e a noite é barra.
Ainda bem que eu tive o bom senso desse ano não dar aulas aos sábados.
Enfim...tudo passa e isso vai passar também.
Terça-feira, Abril 15, 2008
A mulher invisivel se sente centenária
Escrevi um email pra Alline contando um fato e de repente me caiu a ficha de que ele aconteceu há 18 anos.
Como pode algo estar 18 anos lá atrás e ser tão vivo e claro na memória da gente.
Eu me lembro da roupa que eu vestia, me lembro da sala da casa em que estava, dos cheiros, dos sons.
Ai começo a pensar e tantas outras coisas são tão vividas na minha memória e já são tão antigas.
Mas o que mais me surpreende é que algo que doia há 18 anos dói hoje com a mesma intensidade.
O sentimento de rejeição, de "não ser parte", é uma marca indelével.
Isso é impressionante.
Como pode algo estar 18 anos lá atrás e ser tão vivo e claro na memória da gente.
Eu me lembro da roupa que eu vestia, me lembro da sala da casa em que estava, dos cheiros, dos sons.
Ai começo a pensar e tantas outras coisas são tão vividas na minha memória e já são tão antigas.
Mas o que mais me surpreende é que algo que doia há 18 anos dói hoje com a mesma intensidade.
O sentimento de rejeição, de "não ser parte", é uma marca indelével.
Isso é impressionante.
Segunda-feira, Abril 14, 2008
Na base do f...-se
Passei uma noite do cão e pela manhã resolvi não ir trabalhar. Não dava. Não tinha condições.
Ligo e falo com a coordenadora e ela está monossilábica. Ou tem algum pai por perto ou eu to fu por causa do problema da sexta-feira.
Me recuso a esquentar a cabeça. Chega de sofrer!
Ligo e falo com a coordenadora e ela está monossilábica. Ou tem algum pai por perto ou eu to fu por causa do problema da sexta-feira.
Me recuso a esquentar a cabeça. Chega de sofrer!
Domingo, Abril 13, 2008
Preguiçaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Ontem eu tinha 150 provas para corrigir.
Hoje já são só 100 mas eu deveria ter todas corrigidas até amanhã. Francamente isso não vai acontecer.
Pode não parecer mas eu também tenho direito ao fim de semana e tudo o que isso possa significar: sair com filho, cozinhar, ver filme, dormir a tarde, ficar jogando no computador e lendo mil posts dos outros.
Passear com Jack (amanhã é aniversário dele!!!).
Enfim, viver!
Hoje já são só 100 mas eu deveria ter todas corrigidas até amanhã. Francamente isso não vai acontecer.
Pode não parecer mas eu também tenho direito ao fim de semana e tudo o que isso possa significar: sair com filho, cozinhar, ver filme, dormir a tarde, ficar jogando no computador e lendo mil posts dos outros.
Passear com Jack (amanhã é aniversário dele!!!).
Enfim, viver!
Sábado, Abril 12, 2008
Nicolas Merlotti


Meu neto virtual, filho da minha amada Mi, do Padu que é o genro mais maravilhoso do mundo e irmão da Bianca, que não tenho palavras pra dizer o quanto amo.
Sexta-feira, Abril 11, 2008
Ai meu são prozac dos últimos dias, valei-me!
Tá ultra, mega, blaster phoda a vida ultimamente.
Ligia minha querida, vc se livrou de tudo isso. Que sorte a sua!
Tá ultra, mega, blaster phoda a vida ultimamente.
Ligia minha querida, vc se livrou de tudo isso. Que sorte a sua!
Quinta-feira, Abril 10, 2008
É por isso que eu gosto depois que passa o mes de março: amanhã já é 10 de abril!
O ano começa a correr e daqui a pouco as férias de julho chegam.
Amanhã é dia de dar prova pra molecada do 4º ano ou seja, dia de correr feito louca porque criança faz a prova chamando o professor a cada 5 segundos.
Você responde a dúvida de um e no minuto seguinte o outro pergunta exatamente a mesma coisa.
Sem contar que o nosso "amado" coordenador nos obriga a colocar todos os enunciados em inglês ou seja, as crianças não entendem nada. A gente lê a prova inteira pra eles mas quando eles vão começar a resolver já esqueceram o que quer dizer a questão seguinte.
O bom é que acaba sendo uma verdadeira aula de aeróbica.
Queimo calorias como numa academia.
Pra vocês verem que realmente tudo tem um lado bom...rs
Eu me pergunto como a policia pode ter 70% de um caso resolvido. Ou seja, eles descobriram que a menina morreu! Que ela caiu da janela! Agora só falta descobrir quem a jogou.
Realmente tem coisas que era preferível que eles não dissessem.
Chove! Vou aproveitar o doce barulho da chuva no telhado e dormir!
O ano começa a correr e daqui a pouco as férias de julho chegam.
Amanhã é dia de dar prova pra molecada do 4º ano ou seja, dia de correr feito louca porque criança faz a prova chamando o professor a cada 5 segundos.
Você responde a dúvida de um e no minuto seguinte o outro pergunta exatamente a mesma coisa.
Sem contar que o nosso "amado" coordenador nos obriga a colocar todos os enunciados em inglês ou seja, as crianças não entendem nada. A gente lê a prova inteira pra eles mas quando eles vão começar a resolver já esqueceram o que quer dizer a questão seguinte.
O bom é que acaba sendo uma verdadeira aula de aeróbica.
Queimo calorias como numa academia.
Pra vocês verem que realmente tudo tem um lado bom...rs
Eu me pergunto como a policia pode ter 70% de um caso resolvido. Ou seja, eles descobriram que a menina morreu! Que ela caiu da janela! Agora só falta descobrir quem a jogou.
Realmente tem coisas que era preferível que eles não dissessem.
Chove! Vou aproveitar o doce barulho da chuva no telhado e dormir!
Quarta-feira, Abril 09, 2008
Tenho vontade de escrever us coisas para logo em seguida ter medo de dizê-las.
Ah, as vezes eu sinto tanta saudade da pessoa que já fui: porra loca, maluquete, destemida, temerária.
Quando eu estava no colegial tinha gente que jurava por tudo que era mais sagrado que eu tomava todas, cheirava todas.
E como dizia o Mô no meu estado normal já era tão maluca que talvez se tomasse alguma coisa fosse ficar careta.
Por falar em Mô hoje me lembrei dele no cinema, parado no escuro do lado de dentro da porta dizendo pras pessoas que entravam :"cuidado com o degrau" e não tinha degrau algum e a gente rolava de rir em ver as pessoas pisando com cuidado procurando o tal do degrau.
Quando passou "Carrie a estranha" ele ficava em todas as sessões e no final, antes da mão sair da sepultura, ele dava um grito tão pavoroso que quase matava todo mundo do coração antes do susto do filme.
Ah, as vezes eu sinto tanta saudade da pessoa que já fui: porra loca, maluquete, destemida, temerária.
Quando eu estava no colegial tinha gente que jurava por tudo que era mais sagrado que eu tomava todas, cheirava todas.
E como dizia o Mô no meu estado normal já era tão maluca que talvez se tomasse alguma coisa fosse ficar careta.
Por falar em Mô hoje me lembrei dele no cinema, parado no escuro do lado de dentro da porta dizendo pras pessoas que entravam :"cuidado com o degrau" e não tinha degrau algum e a gente rolava de rir em ver as pessoas pisando com cuidado procurando o tal do degrau.
Quando passou "Carrie a estranha" ele ficava em todas as sessões e no final, antes da mão sair da sepultura, ele dava um grito tão pavoroso que quase matava todo mundo do coração antes do susto do filme.
Terça-feira, Abril 08, 2008
Teste de paciência
Hoje é dia do meu teste de paciência: tenho capacitação em SP.
Mais um dia pra eu ganhar estrelinhas de bom comportamentos e créditos no céu!
Mais um dia pra eu ganhar estrelinhas de bom comportamentos e créditos no céu!
Segunda-feira, Abril 07, 2008
Premio
Chefe reuniu todo mundo pra agradecer pelo magnifico desempenho que os alunos tiveram no Enem 2007. A média da escola equipara-se às grandes escolas de São Paulo: Santa Cruz, Bandeirantes.
Claro que isso é fruto de um esforço coletivo: professores, pais, alunos, coordenação.
Agora o que eu diria a ele se pudesse é que o melhor motivador (e o que demonstraria verdadeira apreciação ao que fazemos) é o aumento de salário.
Por mínimo que fosse mostraria que há um verdadeiro reconhecimento do empenho de todos para que a escola se coloque entre as melhores do estado e, porque não do país.
Claro que isso é fruto de um esforço coletivo: professores, pais, alunos, coordenação.
Agora o que eu diria a ele se pudesse é que o melhor motivador (e o que demonstraria verdadeira apreciação ao que fazemos) é o aumento de salário.
Por mínimo que fosse mostraria que há um verdadeiro reconhecimento do empenho de todos para que a escola se coloque entre as melhores do estado e, porque não do país.
Sábado, Abril 05, 2008
Meu estado hoje? Meditabunda
Leio no Uol que o PT diz que terceiro mandato do Lula é o Plano A deles.
Isso me deixa profundamente chateada. Não apenas porque eu não goste do Lula, porque gostando ou não eu tive que aturá-lo até agora, mas porque fica aquele gosto de democracia sul americana.
Um dejà vu!
Um nada para mundialmente sermos comparados à Venezuela.
Na Argentina pelo menos puseram a mulher do presidente pra candidata e ela ganhou e agora eles governam.
Estou lendo "Veia Bailarina" do Ignacio Loyola Brandão e o livro me põe pra pensar muito.
Dentre as coisas que penso uma delas é que a Márcia não estaria orgulhosa de mim nesse momento. Bom, tanto faz a Márcia, o fato é que eu não estou orgulhosa de mim porque não estou sabendo lidar com as pressões da minha vida.
Estou insatisfeita com uma porção de coisas e ao invés de procurar solução pra isso eu apelo pra minha droga lícita: doces!
E as coxas e a bunda acusam imediatamente o crime.
Todos os dias eu me prometo tomar jeito, prometo ficar vigilante mas de repente vem a ansiedade e com ela o ataque a tudo o que contiver açúcar que esteja ao meu alcance.
Isso me deixa profundamente chateada. Não apenas porque eu não goste do Lula, porque gostando ou não eu tive que aturá-lo até agora, mas porque fica aquele gosto de democracia sul americana.
Um dejà vu!
Um nada para mundialmente sermos comparados à Venezuela.
Na Argentina pelo menos puseram a mulher do presidente pra candidata e ela ganhou e agora eles governam.
Estou lendo "Veia Bailarina" do Ignacio Loyola Brandão e o livro me põe pra pensar muito.
Dentre as coisas que penso uma delas é que a Márcia não estaria orgulhosa de mim nesse momento. Bom, tanto faz a Márcia, o fato é que eu não estou orgulhosa de mim porque não estou sabendo lidar com as pressões da minha vida.
Estou insatisfeita com uma porção de coisas e ao invés de procurar solução pra isso eu apelo pra minha droga lícita: doces!
E as coxas e a bunda acusam imediatamente o crime.
Todos os dias eu me prometo tomar jeito, prometo ficar vigilante mas de repente vem a ansiedade e com ela o ataque a tudo o que contiver açúcar que esteja ao meu alcance.
Quinta-feira, Abril 03, 2008
Opções
O duro na vida não é vc optar entre uma coisa ou outra. É não saber se mais tarde você não vai lastimar pela escolha que fez.
A vida é uma caixinha de surpresas!
Pena que algumas não sejam tão boas!
A vida é uma caixinha de surpresas!
Pena que algumas não sejam tão boas!
Ano par
Eu tenho uma cisma danada com ano de final par. Talvez porque eu tenha nascido num de final impar mas normalmente os anos de final par não me favorecem.
Claro que isso é um absurdo porque meus dois filhos nasceram em anos pares e foram os melhores acontecimentos da minha vida.
Claro que isso é um absurdo porque meus dois filhos nasceram em anos pares e foram os melhores acontecimentos da minha vida.
12 anos
Pois é, hoje faz 12 anos que Eric morreu.
12 anos!
Tenho mais tempo como viúva do que tive de casada. Apesar que eu me sinto casada com ele até hoje.
12 anos é tempo toda vida. Dava pra ter 3 copas do mundo, 3 olimpiadas.
O sobrinho dele que nasceu naquele ano já está no que pra nós é a sétima série.
Nossos filhos já estão na faculdade e a Marie, na época, mal sabia escrever.
Eu tentei o dia inteiro não pensar no assunto, não deixar que isso me incomodasse mas...é inútil! Incomoda!
12 anos!
Tenho mais tempo como viúva do que tive de casada. Apesar que eu me sinto casada com ele até hoje.
12 anos é tempo toda vida. Dava pra ter 3 copas do mundo, 3 olimpiadas.
O sobrinho dele que nasceu naquele ano já está no que pra nós é a sétima série.
Nossos filhos já estão na faculdade e a Marie, na época, mal sabia escrever.
Eu tentei o dia inteiro não pensar no assunto, não deixar que isso me incomodasse mas...é inútil! Incomoda!
Quarta-feira, Abril 02, 2008
Ainda da série ´Bobagens que a gente escuta"
Encontro M. que me diz " Agora em abril é aniversario de morte do Eric não é?"
Respondo: "É, dia 03."
M.: - "Quantos anos faz que ele morreu?"
Eu: - "12"
M.: - "Nossa. Tudo isso?????? Eu não teria aguentado."
Eu: - "Como assim não teria aguentado?"
M.: "- Ahhh...se meu marido morresse eu não teria aguentado. Quando ele viaja uns dias eu já nem consigo dormir imagina passar o resto da minha vida sem ele."
Não tenho resposta. Apenas sorrio.
Minha vontade é de perguntar se ela fez um pacto com o diabo ou com Deus pra garantir que o seu marido não vá morrer antes dela.
Ou então de perguntar se ela acha que eu tive opção.
É tão surreal ouvir um troço desses que eu imagino o que passa na cabeça da pessoa ou melhor, não deve passar nada porque se a pessoa refletisse um momento veria o absurdo que está falando.
Respondo: "É, dia 03."
M.: - "Quantos anos faz que ele morreu?"
Eu: - "12"
M.: - "Nossa. Tudo isso?????? Eu não teria aguentado."
Eu: - "Como assim não teria aguentado?"
M.: "- Ahhh...se meu marido morresse eu não teria aguentado. Quando ele viaja uns dias eu já nem consigo dormir imagina passar o resto da minha vida sem ele."
Não tenho resposta. Apenas sorrio.
Minha vontade é de perguntar se ela fez um pacto com o diabo ou com Deus pra garantir que o seu marido não vá morrer antes dela.
Ou então de perguntar se ela acha que eu tive opção.
É tão surreal ouvir um troço desses que eu imagino o que passa na cabeça da pessoa ou melhor, não deve passar nada porque se a pessoa refletisse um momento veria o absurdo que está falando.
Terça-feira, Abril 01, 2008
Pensamentos
Sábado eu fui ao clube. Fazia muito tempo que eu não ia lá e encontrei muitos conhecidos.
Lá pelas tantas eu conversava com a Ana e ela me conta que a Marta morreu. Me pergunta como eu não fiquei sabendo e eu realmente não tinha sabido.
Ela me diz que a Marta teve um infarto fulminante em casa e ai nós duas ficamos em silêncio, pensando e de repente eu falo "que sorte a dela" e a Ana concorda comigo.
Não é que a gente queira morrer mas é que simplesmente chega uma hora que a gente não aguenta mais problema e acho que nós duas estamos nessa fase.
Mais tarde encontro a Meg e a gente começa a conversar e ela fala que ligou pra mim em casa as 9 da noite e eu estava dando aula. Ela comenta: "Puxa Gi vc trabalha muito! 7 e meia da manhã vc já está dando aula e vai até de noite? Mas você curte né?"
"Você quer dizer se eu gosto de dar aula? Claro que eu gosto mas é lógico que eu preferiria diminuir o ritmo."
E ela : "Sério mesmo? Porque quando a gente vê vc dando aula as 9 da noite você está num pique, numa alegria que parece que é a primeira aula do dia." e continua " Se vc ganhasse na mega sena vc pararia de trabalhar?"
Eu respondo "Lógico!" e ela fica super espantada e diz que nunca imaginaria que eu fizesse isso.
Pois é!
Eu faço das tripas o coração pra que a primeira e a última aula do dia tenham a mesma qualidade, a mesma animação. Eu dou o sangue pra que meus alunos gostem de aprender e não apenas aprendam. E isso não é o suficiente pra que eu ganhe a minha vida.
Em outras palavras: eu me mato de trabalhar e trabalho da melhor maneira que posso e o que eu ganho como salário nunca é o suficiente.
Eu conheço gente que trabalha tão menos que eu e ganha bem mais.
Tem gente que vive de tramóia, maracutaia, negocinhos daqui e dali e enchem o bolso de dinheiro. E não são só políticos não.
Isso tudo cansa!
Estresse com família cansa!
A Marta, a que morreu, era indecentemente rica. Mas rica de não saber o quanto de dinheiro tinha. A familia dela já era rica e ela casou com um cara ainda mais rico que ela.
Certamente o que causou o infarto dela não foi problema financeiro.
Sim, ela tinha sérios problemas na família, com os filhos e as noras e divórcios e brigas entre irmãos.
Então eu concluo que de qualquer maneira, com grana ou sem, quem consegue sair daqui está no lucro. Mesmo a gente não sabendo o que tem do outro lado.
Lá pelas tantas eu conversava com a Ana e ela me conta que a Marta morreu. Me pergunta como eu não fiquei sabendo e eu realmente não tinha sabido.
Ela me diz que a Marta teve um infarto fulminante em casa e ai nós duas ficamos em silêncio, pensando e de repente eu falo "que sorte a dela" e a Ana concorda comigo.
Não é que a gente queira morrer mas é que simplesmente chega uma hora que a gente não aguenta mais problema e acho que nós duas estamos nessa fase.
Mais tarde encontro a Meg e a gente começa a conversar e ela fala que ligou pra mim em casa as 9 da noite e eu estava dando aula. Ela comenta: "Puxa Gi vc trabalha muito! 7 e meia da manhã vc já está dando aula e vai até de noite? Mas você curte né?"
"Você quer dizer se eu gosto de dar aula? Claro que eu gosto mas é lógico que eu preferiria diminuir o ritmo."
E ela : "Sério mesmo? Porque quando a gente vê vc dando aula as 9 da noite você está num pique, numa alegria que parece que é a primeira aula do dia." e continua " Se vc ganhasse na mega sena vc pararia de trabalhar?"
Eu respondo "Lógico!" e ela fica super espantada e diz que nunca imaginaria que eu fizesse isso.
Pois é!
Eu faço das tripas o coração pra que a primeira e a última aula do dia tenham a mesma qualidade, a mesma animação. Eu dou o sangue pra que meus alunos gostem de aprender e não apenas aprendam. E isso não é o suficiente pra que eu ganhe a minha vida.
Em outras palavras: eu me mato de trabalhar e trabalho da melhor maneira que posso e o que eu ganho como salário nunca é o suficiente.
Eu conheço gente que trabalha tão menos que eu e ganha bem mais.
Tem gente que vive de tramóia, maracutaia, negocinhos daqui e dali e enchem o bolso de dinheiro. E não são só políticos não.
Isso tudo cansa!
Estresse com família cansa!
A Marta, a que morreu, era indecentemente rica. Mas rica de não saber o quanto de dinheiro tinha. A familia dela já era rica e ela casou com um cara ainda mais rico que ela.
Certamente o que causou o infarto dela não foi problema financeiro.
Sim, ela tinha sérios problemas na família, com os filhos e as noras e divórcios e brigas entre irmãos.
Então eu concluo que de qualquer maneira, com grana ou sem, quem consegue sair daqui está no lucro. Mesmo a gente não sabendo o que tem do outro lado.

