Sábado, Fevereiro 28, 2009

Passeio a tarde




Costa Mediterranea







Talvez vocês entendam porque eu acho que tudo lá é "over".

Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009

Tem coisas que só uma mãe faz parte II

Advinharam? Lá fui eu para Santos novamente.
A Marie está bem. Cansada mas bem.
Almoçamos a comida deliciosa do navio e depois saimos passear um pouquinho.
Passa tão depressa as horinhas que passo com ela...
Hoje seria aniversário do Eric. 56 anos ele estaria fazendo.
E eu olhava para ela e pensavam no quanto ela é parecida com ele na determinação, no jeito do "não levo para casa".
Fisicamente ela não é nada parecida com ele mas no temperamento definitivamente tem muita coisa.
Agora ela vem dia 08/03 e 17/03 e depois vai embora para a Europa.
Hoje soubemos que o fim do contrato dela é dia 22/09. Ou seja, se tudo der certo ela estará em casa para o meu aniversário.
Ou talvez, com um pouco de sorte, eu consiga ir encontrá-la na Europa.
Não seria mal.
Bem, estou cansada e isso não é uma reclamação mas um fato.

Quinta-feira, Fevereiro 26, 2009

Exercicio

Há alguns anos Eric e eu conviviamos com um casal cujo cara era um dos melhores amigos dele.
Um dia nós 4 estavamos conversando e o cara falou que mulher era um bicho muito chato porque mulher reclamava de tudo.
Que era impressionante a quantidade de coisas que as mulheres encontravam para reclamar. E dizia que para confirmar a sua teoria era só olhar um grupo de mulheres e um grupo de homens conversando. Que os homens estariam falando de mil coisas e se estivessem reclamando de algo seria do técnico do time de futebol.
Até para reclamar do calor os homens falariam - "Po como ta calor" e mudavam de assunto, enquanto que as mulheres diriam e isso e mais "é tanto calor que eu tenho vontade de sair nua, não tenho nada para vestir. As crianças ficam na piscina o dia inteiro e eu me esfalfando. Meu cabelo fica um horror." e assim por diante.
Passei a observar e é fato que somos grandes reclamonas!
Nossas reclamações normalmente tem fundamento mas a gente exagera.
E por exagerarmos tornamos nossa vida infinitamente mais dificil.
Reclamar um pouco pode ser terapeutico, demais é doença.
Eu acredito que a gente atraia coisas ruins quando só falamos de coisas ruins.
Mais problemas quando falamos demais dos problemas.
Já posso vir uma amiga minha rindo sarcástica das minhas crenças. Mas isso é problema dela.
O fato é que como eu vivo dizendo aos meus alunos que tudo na vida é questão de prática resolvi fazer o exercicio de não reclamar.
Quero dizer, não reclamar compulsivamente.
Nem para os outros nem para mim mesma.
Quando começo a pensar - "Ah que droga eu tenho que sair nesse calor e não estou com carro", imediatamente eu procuro pensar - "ainda bem que está calor, seria pior ter que sair debaixo de neve".
Uma coisa são fatos "estou com saudades da minha filha"! Outra é uma reclamação "o cachorro me enche o saco!".
É um exercicio interessante.
Sempre brinco com meus alunos: você resolve que quer ganhar massa muscular e então se matricula na melhor academia da cidade. Compra o melhor tenis e a melhor roupa de ginástica.
Chega na academia, senta ao lado dos aparelhos e fica assistindo todo mundo malhar.
Depois de um mes você vai estar exatamente como entrou, ou até pior.
Em compensação se você começa a treinar, mesmo que um pouquinho a cada vez, seu corpo acaba se moldando.
O cérebro funciona igual! Está cientificamente comprovado.

Terça-feira, Fevereiro 24, 2009

A revolta dos eletrodomésticos

Não acredito em gnomos, ou bruxas, nem mesmo em fadas. Mas acredito sinceramente que os eletrodomésticos fazem complô, ou já que estamos numa fase marítima aqui em casa: eles se amotinam.
Começou discretamente, o decodificador da Tv a cabo enlouqueceu e só ia para os canais que ele decidia. Ou então aumentava o volume alucinadamente.
Depois foi o secador de cabelos que resolveu que melhor que secar era torrar a cabeça de quem decidia usá-lo.
O microondas sistematicamente se recusa a esquentar.
Mas então a coisa ficou séria. Serissima!
O aspirador de pó, aquele que eu sempre elogiei, que eu gostava tanto que trouxe da França na minha mudança de pouquissimos objetos, aquele que prestou serviços lealmente por 20 anos começou a fazer um barulho que parecia um aspirador de pó com asma. E exalava um cheiro suspeito de queimado.
Hoje, depois do almoço, como todos os dias fui fazer o café e a cafeteira se recusou.
A água não passava do reservatório para o coador.
A chapa sob a jarra até esquenta mas se a água não passa não tem café, só uma jarra de vidro quente.
Outra velha companheira que resolveu se aposentar sem dar aviso prévio.
Os meus companheiros velhos de guerra resolveram me abandonar e agora eu me imagino com um aspirador novo, uma cafeteira nova, como namorados novos.
A gente tem que se acostumar ao barulho diferente, ao ritmo, o tempo diferente.
A gente tem que olhar para eles e sentir que eles fazem parte da sua família e isso...sempre leva algum tempo.
Nada é para sempre.
Nem eles!
Nem nós!

Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009

Ah...nós os humanos...que coisa dificil

Em frances tem um ditado que diz "Tem dias com e dias sem".
O que mais ou menos quer dizer que uns dias a gente está legal e noutros não.
Hoje é meu dia sem.
Completamente sem.
Sem paciencia, sem vontade, sem saco.
Nos meus dias "sem" eu fico sem saco até para mim mesma. Eu me irrito!
E esse calor do inferno não ajuda em nada!
Enfim... os dias com virão.
Como diz o velho ditado brasileiro "não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe."

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009

Oba, oba, carnaval!

A primeira vez que fui pular carnaval eu devia ter uns 13 anos.
Até essa idade meu pai não permitia.
Imagine, naquela época comparado com hoje em dia o carnaval era uma coisa de "anjos".
Enfim, com 13 anos uma prima da minha mãe venceu a resistência do meu pai e eu pude ir pular carnaval com os filhos dela em Jundiai.
Nossa, aquilo foi maravilhoso.
As 4 noites no clube junto com a filha da prima da minha mãe, que era mais velha que eu, me acabando de tanto dançar.
No ano seguinte lá estava eu novamente, só que já não achei tão legal.
Aquele monte de gente se espremendo, suando, gritando uns nos ouvidos dos outros. Um monte de bebados...
A partir dai não fui mais pular em salão de clube.
Ai começou a fase carnaval de rua em Ubatuba.
Era mais ir atrás da escola de samba, paquerar e ser paquerada.
E então, aos meus 16 anos fui convidada para cantar animando um baile de carnaval e juro que encontrei minha turma.
É muito mais divertido do que estar dançando lá embaixo.
Na época não havia trio elétrico, quero dizer, só na Bahia, e quando eu falo lá em cima é em cima de um palco, palanque, qualquer coisa que colocava a banda mais alto que o público.
É muito engraçado você ver o povo se espremendo, pulando feito louco.
Pra quem olha é um negócio meio insano.
A gente tocava e cantava até sair alguma briga. Se voava uma garrafa a gente saia do palco na hora e isso era normalmente o suficiente para o povo tirar os briguentos do local.
Dos barzinhos de Ubatuba eu passei a cantar no saveiro do grego.
Outra diversão garantida.
O meu último carnaval lá foi em 1982.
Parece incrivel, 27 anos e eu me lembro de detalhes, de coisas divertidissimas.
Não sinto falta de carnaval porque aproveitei muito o que gostava.
Hoje curto ir ver os blocos na avenida junto com minha mãe e o Jack.

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

As máscaras caem

«Pode-se enganar todas as pessoas durante algum tempo; pode-se até enganar algumas pessoas durante o tempo todo; mas não é possível enganar todas as pessoas durante o tempo todo».
Abraham Lincoln


Quem é verdadeiro não tem porque se esconder!

Tem coisas que só uma mãe faz por alguém

Levantei as 6 e meia da manhã, passeie o cachorro, tomei café, chamei um taxi e fui para a rodoviária.
Peguei um onibus para Santos, 3 horas e meia de viagem.
Em Santos como o terminal de onibus urbano é do lado da rodoviária tomei um onibus para o terminal de pssageiros no cais.
Demorei mais 1 hora num calor atroz para chegar.
Lá chegando esperei 2 horas minha filha ter a sua hora de folga para poder me encontrar.
Ela chega e tomamos um táxi e vamos espairar, arejar a cabeça dela e fazer algo diferente da rotina do navio: vamos ao shopping!
Comemos sanduiche do SubWay que ela queria algo bem diferente da rotina dela, e fizemos compras.
Quer dizer, ela fez compras. Roupas bonitas, alegres.
O tempo voa e logo já é hora dela voltar.
Outro táxi, mais meia hora juntas no saguão de embarque, ela vai embora e eu tomo outro onibus para a rodoviaria.
Como o direto para Soro só saia as 18:30 e eram 17:15 eu tomei o busão para São Paulo, de lá o metro com direito a troca na Sé e depois o Cometa para Sorocaba.
7 horas de viagem entre a ida e a volta para beijar minha pequena por menos de 3 horas.
Estou quebrada mas faria tudo de novo amanhã se ela fosse estar em Santos novamente.

Terça-feira, Fevereiro 17, 2009

Calor, cansaço e saudade não necessariamente nessa ordem

Tem dias que eu tenho vontade de ir morar na selva!
Deve ser mais fáci, não é possível. Porque os humanos são muito, muito complicados.
A mulher me liga porque colocou os filhos numa escola "puxada" e eles não estão acompanhando o ingles da escola. Pergunta se tenho horário, o preço, diz que vai pensar.
Liga de novo, diz que realmente os filhos vão precisar e marca de trazer os dois rebentos para que eu avalie as dificuldades.
Na verdade em portugues bem claro é pra perguntar se eles um dia estudaram ingles porque não sabem quase nada.
Ai, depois que eu avalio e ajudo um deles que tem chamada oral amanhã a mulher me paga uma hora de aula e diz que "vai pensar", que vai ver o que os filhos acharam e me liga depois.
Cacilda, se eu soubesse que era aula para avaliação do professor eu não tinha marcado porque estou com uma tradução grande pra entregar.
Tudo bem, ela pode não ter ido com a minha cara (a reciproca é absolutamente verdadeira) mas isso não se faz.
Enfim...
Amanhã vou a Santos ver minha filha.
Vou de busão e já estou tremendo em pensar no calor que vou passar.
Algumas pessoas no post abaixo comentaram sobre a "força" de pensamento e de vontade do meu pai.
Isso nele realmente era impressionante.
Nunca nos demos bem e ele não foi um bom pai. Não mesmo! Mas reconheço que ele era O exemplo de determinação e força de vontade.
Ele perdeu a mãe com 5 anos de idade e foi criado pela avó materna, que era índia, bugre mesmo, mal e mal sabia viver na cidade.
O pai mudou-se para o Rio, casou com outra mulher e não dava a mínima para os 3 filhos do primeiro casamento.
Para poder comprar os livros da faculdade de direito meu pai vendia doces na porta da escola.
Pois ele se formou na São Francisco, mais tarde foi professor lá.
Estudou 4 idiomas sendo que o alemão ele foi estudar com 60 anos.
E tirou o diploma do alemão!
O único problema é que sendo assim ele achava que todo mundo tinha a obrigação de ser assim também.
Nós, meu irmão e eu, não podiamos apenas ser bons alunos. Nós tinhamos que ser os melhores.
Tudo o que decidiamos fazer ele exigia que fossemos os melhores e isso é extremamente cansativo para crianças e adolescentes.
Quando não alcançavamos o grau de excelencia que ele nos impunha, ele simplesmente nos reduzia a pó e depois nos ignorava.
Meu pai era uma figura curiosa. Ao mesmo tempo um genio e um carrasco!

Domingo, Fevereiro 15, 2009

Senta que lá vem história

Um pouco mais sobre fé e esperança...ou o que quer que vocês achem que seja.
Faz tempo que quero contar essa história e não tinha oportunidade.
Meu pai era um cara forte ( não gordo, forte mesmo), nunca fumou, bebia pouquissimo. Sempre foi esportista - nadava, jogava volei e montava a cavalo mesmo com mais de 70 anos.
Era defensor da vida com equilibrio e o mais saudável possível muito antes disso ser moda.
Por isso foi com horror que soubemos que ele tinha um cancer de pulmão em 1981.
Minha mãe e ele já estavam separados e ele vivia com a "outra" esposa dele quando foi operado.
Os médicos abriram e fecharam, como eles dizem, e nos informaram que era inoperável, do tamanho de uma bola de golfe no pulmão direito e pela idade do meu pai (na época 73 anos) e o avançado da doença ela viveria quando muito um ano.
Isso foi em setembro de 1981.
Não mentimos para ele que ficou louco da vida de ter cancer de pulmão, justo ele que nunca tinha fumado (nem ninguém na minha casa junto dele enquanto ele era casado com minha mãe).
Ele começou a quimioterapia mas passou tão mal, mas tão mal que teve que suspender.
Em novembro o estado dele era tão ruim que tivemos que interná-lo e em poucos dias ele se alimentava só com sonda.
Ele definhava a olhos vistos e nós não achávamos que ele veria 1983. Começou a respirar com ajuda de aparelhos.
Mas cada vez que tiravam o tubo ele murmurava: "eu não vou morrer disso".
Por 3 vezes ele teve parada cardíaca e foi reanimado.
E a história do "eu não vou morrer disso" se repetia sempre que ele conseguia ter a boca livre para falar.
Os meses se passaram. Muitos.
Depois de 6 meses de hospital, muitos deles na UTI, os médicos querendo mais que ele morresse para desocupar o quarto, um belo dia ele num tremendo esforço disse que queria comer pastel.
Ele não se alimentava desde dezembro e nós estavamos quase em julho.
O médico disse que ele ia morrer de qualquer jeito então...
Trouxemos o pastel, que claro, ele comeu uma pontinha de nada.
No dia seguinte ele pediu caldinho de feijão.
Tomou duas colheres de café.
E a cada dia ele ia pedindo alguma coisa e aos pouquinhos ele foi engordando e recuperando as forças.
Um dia ele pediu para sentar na poltrona.
Num outro ele pediu um andador para andar pelo quarto.
Em uma semana ele estava andando pelo corredor e depois pelo hospital inteiro.
Bom, diante disso os médicos refizeram todos os mil exames, mil radiografias (não existia nada mais avançado que isso na época) e o tumor tinha sumido.
As palavras dos médicos eram - "isso não é possível"!
O médico que o operou e cruamente nos disse que ele não tinha mais que um ano de vida nos mandou tirá-lo do hospital e sumir com ele porque ele, o médico, não acreditava em milagres.
E meu pai voltou para casa e viveu mais 6 anos saudável feito um touro, viajando e dessa vez comendo tudo que ele sempre achou que faria mal e tomando vinho.
O médico morreu antes dele.
Ele morreu de cancer de intestino e quando ele foi operado, retiraram o tumor e disseram a ele que teria que fazer quimio disse que não faria. Que naquela hora ele podia morrer porque não era cancer de pulmão, que o cancer de intestino ele podia aceitar.
Em menos de um mes ele morreu, tranquilo.

Poxa!

Tá, eu não reclamo de trabalhar sábado, domingo e feriado porque quem é autonomo levanta a mão pro céu de ter trabalho mas ser "devorada" por pernilongos enquanto digito a tradução é uma puta sacanagem.
Passo spray de veneno, queimo aquelas cobrinhas, coloco o trequinho na tomada e os fdps viciadões que estão ficam doidões mas picam assim mesmo.
Aqui no meu bairro a coisa tá tão feia que somos nós (os humanos) contra eles.
Na pracinha ali embaixo (que com boa vontade a prefeitura colocou o nome de Parque Kasato Maru e a gente chama de pracinha do japones) depois de um certo horário é impossível caminhar.
E lá fica cheio de noiva que vem tirar fotografia (bregaaaaaaaaaaaaaaaaaaa). Outro dia a noiva não sabia se fazia pose ou se se debatia contra os pernilongos.
Ela gritava que eles estavam entrando pelo nariz e pela boca.
E eu passeando o Jack acabei vindo embora porque nem ele aguentava.
Abaixo os mosquitos devoradores!

Sábado, Fevereiro 14, 2009

A falta que ela me faz

Hoje eu vi a chamada para um filme "Guerra das Noivas" e pensei, - "vou chamar a Maui para ir comigo" e dai me caiu a ficha que se eu quiser ver com ela vou ter que esperar até outubro ou novembro e assistir em DVD.
Ontem a noite ela me ligou mas como eu estava num lugar que não podia conversar nos falamos rapidamente e ela estava muito animada com o Valentine´s Day porque tinha ganho presentes.
Pelo jeito enquanto ela é novidade no barco está colecionando admiradores.
Meu filho ontem comentou algo interessante: isso que ela está fazendo é realmente diferente.
Algo que poucos se lançam e que gostando ou não é história para o resto da vida.
Definitivamente ela é minha filha e do Eric.
Nós nunca nos conformamos com a vida "normal". Nós sempre gostamos de aventuras.
Acho que de uma forma ou outra eu continua a viver de forma "não convencional".
Talvez quem leia não entenda mas isso tudo é muito engraçado.
Vou voltar para meu trampo "pouco convencional". 150 páginas de tradução para serem entregues em 10 dias!

Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

Senso prático e questão de fé

Aconteceu hoje de novo, pela milésima vez alguém me falou que gostaria de ter fé como eu tenho.
A frase é bem assim "Ahhhh, como eu gostaria de ter fé como você".
Falam isso como se dissessem que gostariam de ter a minha altura, a cor do meu cabelo.
Ou como se fosse algo que você nasce com a capacidade ou não. Ou a pessoa é talhada a ter fé ou não.
O que elas não sabem é que ter fé é uma questão pura lógica: dá tanto trabalho ter quanto não ter só que tendo você tem algo em que se apegar e não tendo você está completamente sozinho.
Claro que não é tão simples assim.
Ter fé da trabalho. Porque trezentas mil coisas por dia põe a sua fé em prova. Até a fé em si mesmo.
Imagine uma cena, a pessoa diz que é incorruptível. Que por nada no mundo vende sua alma, sua opinião, seus atos. E daí ela se vê numa situação , digamos que ela mesma ou alguém a quem ela ama sobre todas as pessoas na Terra está com uma doença terrível e precisa de dinheiro para um tratamento. Alguém precisa corromper essa pessoa por alguma razão. E oferece a ela dinheiro.
A principio ela recusa. E recusa, e recusa.
E a quantia aumenta e aumenta e aumenta até que ela pode receber aquilo que vai proporcionar o tratamento do ser amado doente.
Ela acreditava em si mesma. Tinha a fé em si mesma de que era incorruptível e está ali, passível de se corromper e trair a sua própria fé.
Não importa o fim da história.
A minha fé, a fé no meu Deus como diz a minha querida amiga Fal, me permite ter com quem discutir.
Porque não adianta eu reclamar que a minha vida é injusta, ou ruim pro mundo, o mundo não dá jeito.
Mas Deus talvez dê.
Normalmente dá.
Quando estou muito triste e infeliz não adianta alguém vir me falar que eu preciso ter fé. Eu estou infeliz!
Mas a fé mora ali, no cantinho. Ela fica ali cuidando para que eu não faça nenhuma besteira no desespero porque afinal, o desespero máximo é a pura demostração da falta de fé absoluta.
Sou prática. Terrivelmente prática.
Se eu chorar e ficar infeliz e reclamando da vida 2 semanas não vou melhorar em nada.
Então eu me dou um prazo pra ficar infeliz.
Não um prazo pré-estabelecido mas normalmente depois de uns 3 dias eu vejo que não tem jeito então é melhor pegar a minha fé e tocar em frente.
Certas dores vão morar com a gente para sempre.
É como uma unha encravada, um espinho no pé. Você muda o modo de andar para se adaptar a dor.
E de repente você nem sente mais que o espinho está lá, a não ser que você pise de forma errada.
A fé talvez seja a mudança na forma de andar.
É apenas uma questão de prática.

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

Germes, bactérias e afins

Não sou neurótica com contaminação.
Tenho uma amiga que anda com desinfetante na bolsa, não come salada fora de casa de jeito algum, lava a pia da cozinha por dentro e por fora com alcóol várias vezes ao dia.
Sigo as regras de higiene normais tanto para a casa quanto para o corpo (isso se não se levar em consideração que banho para mim não é questão de higiene e sim de saúde mental).
Mas outro dia assisti a não sei que programa no Discovery Channel que falava da quantidade de germes e bactérias que se tem numa toalha de mão, dessas que a gente deixa no banheiro, e fiquei escandalizada.
Eles mostraram a placa de cultura e era simplesmente nojento.
A partir daí a coisa ficou meio neurótica para mim. Quero trocar a toalha de mão do banheiro o tempo todo. Isso porque não é possível colocar um toalheiro de papel.
Acho que é mais psicológico que qualquer outra coisa. A gente lava a mão bem lavadinha e se sente seguro de estar limpo, ai vai secar num criadouro de germes?
Blagh!

Terça-feira, Fevereiro 10, 2009

Diversão boba

http://www.costacruzeiros.com/B2C/BR/Shopping/Ships/MD/default.htm

Por ai eu acompanho o navio!
Entro umas dez vezes por dia e vejo pela web cam se eles tem sol, se estão num porto ou navegando.
E pelo satélite eu vejo onde eles estão quando estão se deslocando.
Agora descobri um santo número de telefone e posso falar com ela quase todos os dias por alguns centavos de dólar.
Filho é um caso estranho, a gente briga, se mata mas quando está longe fica faltando um pedaço.
Infelizmente esse é um caso verdadeiro de que só quem tem sabe como é.

Gente "de lua"

Tenho um grande problema em entender e acompanhar as pessoas que mudam de humor ou de amor conforme as fases da lua.
Um dia elas te fazem juras de amor eterno e no outro tratam você como se fosse a última das criaturas sem que você tenha a menor noção de ter feito algo para merecer isso.
Entendo que as pessoas tem os dias em que não estão muito bem mas o tipo de pessoa a que me refiro é aquela que muda de repente.
Não é uma questão de estar num bad day hair.
Do nada, de algo que só aconteceu na cabeça delas elas começam a maltratar quem elas juravam adorar uma hora antes.
Talvez seja imaturidade.
Sim, deve ser isso.

The mom´s song


Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

Conclusão óbvia? O navio é grande!

Muito grande!
Muito!
E a gente pra visitar tudo num dia anda muito.
Muito!
Marie está super feliz, bem, conheceu muita gente e todo mundo passa e brinca com ela e tem uma palavra simpática.
O que ela disse de 30 homens para cada mulher tripulante a bordo é a pura verdade e todos eles fazem questão de que elas se sintam as mulheres mais lindas e desejadas da face da terra. Até as feias! Até as velhas, gordas. Todas tem direito a uma medida de alto abaixo e um arregalar de olhos, quando não uma cantada.
A amiga da minha filha que foi comigo disse que iamos voltar pra casa cada uma 5 quilos mais magra de tanto que fomos "secadas".
Os filipinos são os mais engraçados porque os olhos puxados literalmente ficam arregalados.
Achei a decoração do navio muito brega. Muito espelho, muita luz, muita fonte, muito tudo.
Dependendo do salão a gente tem a impressão de que as paredes estão se fechando sobre nós de tanta coisa que salta aos olhos.
É trash!
Claro, tem tudo o que se espera de um navio transatlantico mas deu pra perceber que o que o povo curte mesmo além das piscinas é comer e beber. E suponho pelo tamanho do cassino que a jogatina também seja uma das diversões prediletas.
Simples - o cassino deve ser 5 vezes ou mais o tamanho da biblioteca!
Pude comer num dos restaurantes dos passageiros - os visitantes junto com os tripulantes tem esse direito no dia da visita e posso dizer que a comida salgada é deliciosa!
Deliciosa mesmo!
E minha filha disse que eu comi do restaurante "self-service", que eles fazem questão de chamar de buffet para não parecer restaurante por quilo, e que no restaurante a la carte (que eles chamam de pago a parte) a comida é ainda melhor.
Bom, só o fato da salada poder ser temperada com azeite italiano e vinagre balsamico já faz diferença.
Agora a sobremesa é aquilo mesmo que a Marie disse. Os doces tem cara de doce de padaria e o que mais estava bonito era a salada de frutas.
Também tem diversos sabores de sorvete mas eles não me pareceram nada apetitosos.
Mas...e ainda bem que tem um mas...ela me contou que eles tem um buffet de doces num determinado dia e que ai sim, tem doces gostosos e como o buffet tinha sido na noite de ontem ela tinha guardado uns para que eu experimentasse.
Docinhos do tipo doce de festa, mas com toques requintados. Um beijinho de coco muito bem feito e muito cremoso.
Brigadeiro só que ao invés de chocolate granulado nozes picadas.
Um docinho de chocolate meio esponjoso muito gostoso.
Quanto ao que haviam dito a ela de que na Europa a qualidade melhorava ela já soube que não melhora não.
Mas pelo menos a comida salgada é divina!
Agora o que a tripulação come é bem diferente.
Ela tem vantagens porque trabalha na cozinha mas nós pudemos ver o que os outros estavam comendo no refeitório da tripulação e não tinha uma cara muito apetitosa.
No mais eles tem algumas diversões para as horas de folga: além de uma jacuzzi ao ar livre com solarium e cadeiras para tomar sol na proa (a dos passageiros é na popa), eles tem academia de ginastica. Também tiveram uma festa para tripulantes numa das danceterias do navio, tem um bar que serve só a eles e onde eles tem música e jornal. As cabines são pequenas mas tem televisão e aparelho de dvd.
O banheiro é minusculo e eu acho que tomar banho lá deve ser bem desconfortável.
Mas a idade da tripulação é bem jovem e a gente pode perceber que pra eles, apesar da seriedade do trabalho, tudo é bom!
Eles trabalham muito. Muito mesmo.
11 horas por dia e a maior parte deles em pé o tempo todo.
Tem gente do mundo inteiro mas principalmente brasileiros, filipinos, indus, vi alguns árabes e claro, italianos.
Os italianos tem os melhores salários.
Não tem discussão!
Quase todos (pra dizer a verdade a única pessoa com ar insuportável era um italiano maitre de um dos restaurantes) muito gentis com as famílias, muito solicitos e sorridentes.
Ficou claro que para muitos deles as motivações são o dinheiro que ganham e os países que podem conhecer.
Garotas de 20 e poucos anos estão no seu segundo contrato, o que significa segundo ano a bordo.
E como uma delas me disse: se souber administrar o que você ganha e economizar com 4 contratos você consegue comprar um apartamentozinho numa cidade como São Paulo, ainda que num bairro não nobre.
Enfim, minha filha está feliz.
Pra mim isso basta!

Domingo, Fevereiro 08, 2009

Daqui a pouco vou para o Guarujá. Decidi dormir lá porque a Marie pediu que eu estivesse no porto as 8 e francamente atravessar São Paulo vai ser um caos e posso dormir ouvindo o mar.
Ela conseguiu ter 7 horas de folga para ficar comigo e vou visitar o navio.
Ontem ela estava bastante contente ao telefone e não tem nada que deixe mãe mais feliz.
Patrick está fazendo um curso de D.J e também me parece bem.
A única coisa que preciso agora é de mais trabalho, porque o que tenho não tem sido suficiente.
Mas tenho certeza de que está a caminho.
Não é positivismo de livro de auto-ajuda.
É o positivismo que preciso para conseguir continuar em frente.
Não é só fé! É lógica!

Sábado, Fevereiro 07, 2009

Calor, chuva e repostas a comentários

Andréia, infelizmente eu vou com uma amiga da minha filha então a visita a você vai ter que esperar.
Mas não deixarei de ir, acredite.
Camila, concordo plenamente com você. Também dúvido que o padrão da cozinha do navio melhore a partir da Europa.
Mesmo as tais patisseries francesas deliciosas depende muito de onde você vai comê-las.
É claro que a maioria dos lugares serve produto de boa qualidade e saborosos.
É como dizer que se você vai a Itália vai comer pizza deliciosa em qualquer lugar e isso não pode ser mais falso.
Mas o que me deixa cabrera é que um cruzeiro, mesmo que seja entre Santos e Rio de Janeiro, não é uma coisa barata.
Ok, você tem todo o sistema de entretenimento de um navio, que também não é tanto assim, e não sei se estou errada mas comparo com os preços de um resort.
Os resorts brasileiros que conheci são de primeira qualidade.
Mesmo no quarto mais simples tudo é perfeito.
O entretenimento é garantido, a qualidade da comida, apresentação dos pratos, tudo, perfeito.
Por isso imaginei que um navio que faz cruzeiros intercontinentais oferecesse o mesmo padrão.
Anyway apenas segunda feira, depois de conversar pessoalmente com ela terei uma opinião formada sobre o assunto.

Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009

Alguém me arranque os tubos

Fico sinceramente impressionada na capacidade que certas pessoas tem de falar merda, assim, sem o menor constrangimento.
E não é pouca não!
Falar muita merda mas muita merda e achar que as pessoas tem não apenas que ouví-la mas também concordar com elas.
O meu merdometro hoje simplesmente chegou no topo. Mais um nadinha e eu ia explodir.
As vezes a gente ser bem educada é um defeito. Porque você fica ali com cara de pois é, ouvindo, ouvindo e pedindo a Deus que a pessoa pare de falar tanta bobagem, que os céus tenham piedade do seu cérebro.
Nunca pergunto sobre a vida das pessoas. Nunca!
Posso perguntar "e ai como vai você?" mas jamais vou chegar pra alguém que sei lá, por exemplo, um dia me falou que estava pensando em mudar de emprego se mudou, que estava querendo se separar se realmente se separou.
Só pergunto amenidades e ainda assim...
A moça onde eu tenho a sala onde dou aulas foi viajar de navio no final do ano e eu fiquei sabendo pelo meu filho.
Porque eu tinha ouvido alguém comentar que talvez ela fosse mas ela nunca me falou nada e eu nunca perguntei.
Sem perguntar as pessoas já te falam tudo imagina se você perguntar.
Talvez o mundo pudesse ser um pouco mais tranquilo se cada um cuidasse mais da sua vida do que da do vizinho. E, principalmente, se as pessoas pensassem se o vizinho está disposto a ouvir tudo, mas tudo o que você tem a dizer sobre qualquer assunto.

Falta um ano para chegar a próxima segunda feira

Segunda feira dia 09 eu vou a Santos encontrar a Marie.
Nem preciso dizer que estou roxa de saudades.
O grande problema é que a gente sempre se falou todos os dias e agora é um caos porque teoricamente o celular dela deveria funcionar na Argentina mas funciona quando quer.
Eu devia ter comprado um TIM porque sei que funciona. Meu irmão com o dele fala com a gente de qualquer país das Américas.
Ontem ela me ligou mas com um cartão que ela comprou a $ 10 dólares sei lá onde. Revoltada porque a Lan House do porto tem 4 computadores e 400 neguinhos querendo usar portanto ela não conseguiu.
Vamos ver se em Montevideo a coisa é mais fácil.
Conversamos pouco mas ela contou que o trabalho é puxado por causa da carga horária mas não necessariamente dificil.
Na verdade ela está até um pouco decepcionada porque ela achou que ia fazer doces como os da Brunella em São Paulo, ou mesmo da Real ou da Doce Veneno de Sorocaba e a coisa lá está mais pra padaria de segunda categoria.
Disseram a ela que quando chega na Europa o padrão melhora e se isso for verdade é uma vergonha.
O dinheiro que os brasileiros pagam é o mesmo que os europeus então porque a diferença?
Somos menos exigentes?
Menos sofisticados?
Preciso perguntar para minha comadre porque ela veio da Europa em Novembro justamente no mesmo navio onde a Marie está trabalhando agora.
De qualquer forma ela está contente.
Ontem ia visitar um pouquinho de Buenos Aires com os companheiros de trabalho a noite, no horário de folga.

Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009

ô povo pra ter imaginação


Roubei da Mi que pelo jeito recebeu da Bela.

Sensacional


Eu si divirto

Acho muito engraçado a visão que as pessoas tem (ou não tem) da vida.
Toda hora chega alguém pra mim - vizinho, aluno, gente do cabeleireiro - e pergunta: "E ai? Já tá morrendo de saudades da filha?"
Me parece uma coisa óbvia: claro que sinto saudades! Seria anormal se não sentisse.
Quando ela morava em Águas eu sentia saudades mas falava com ela várias vezes ao dia e agora eu não tenho noticias da minha filha desde domingo.
Mas isso não me impede de viver, de fazer as minhas coisas.
Ao contrário, quando a saudade começa a apertar eu penso que ela está aprendendo muita coisa, está aproveitando uma experiência bem diferente, conhecendo gente do mundo inteiro e traçando o seu caminho.
Quem fica parado é poste!
Tanto para a vida deles, como para a minha, eu desejo movimento, desejo coisas interessantes.

Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

O olhar para dentro de si

Dizer que nós vivemos correndo atrás do rabo já é o clichê mais batido do mundo. E o pior é que é verdade.
E corremos tanto, e pensamos tanto, e queremos tantas coisas ao mesmo tempo que passamos bem longe do real, do verdadeiro, do importante.
Estou esperando uma nova tradução chegar e muitos dos meus alunos, adolescentes, ainda não recomeçaram as aulas de ingles (os adultos a noite estão lá mas os adolescentes...) então o tempo meio que sobra e comecei a prestar atenção em coisas que normalmente não presto.
Os ruidos em volta do prédio, o vento soprando nas arvores ao lado de casa, passarinhos brigando e brincando feito crianças no parquinho.
De repente o terço que minha mãe reza em frente a televisão não me incomoda mais porque enxerguei com a alma algo que via com os olhos e não entendia: ela está velhinha. Velhinha e reza o terço ali junto a outras pessoas, mesmo que pela televisão faz dela parte de alguma coisa.
Rezando ela sente que está fazendo algo por nós que fisicamente não é mais capaz.
E isso é um gesto de amor.
Talvez eu também esteja ficando velha e por isso mais paciente...rs

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

Pergunta que não sei a resposta

Conversava com uma amiga sobre as responsabilidades de mãe, de esposa, de empregada, ou seja, responsabilidade de modo geral.
E por mais que algumas responsabilidades sejam de pequeno impacto no nosso dia a dia, outras são verdadeiros aspiradores de energia.
Passamos o dia inteiro tendo algo que para ser feito precisa ou que façamos ou da nossa supervisão.
E carregamos as culpas.
Ah! As culpas! As mais diversas.
Será que um dia isso acaba?
Quero dizer, enquanto temos saúde e nossa "lucidez" mental, será que um dia a gente deixa de se sentir responsável pelo bem estar e sobrevivência dos que nos cercam?
Porque mulher tem aquele negócio de se não se achar Deus achar que é o braço direito Dele e que nada será feito, e bem feito, sem ela.
É um fardo que nós mesmas colocamos nas costas e carregamos forever and ever.
Tenho uma vizinha de uns 80 e muitos anos que sofre de Alzheimer. Como ela foi diagnosticada cedo e tratada cedo ela está há algum tempo "estacionada" no estágio onde ela reconhece todos os familiares mas não sabe quem são os vizinhos e esquece rapidamente o que vivencia.
Ainda assim outro dia ela brigava com a moça que cuida dela porque queria ir fazer o almoço porque as filhas iam chegar da escola (as filhas já são avós) e o almoço não estava pronto.
Até na insconsciência a responsabilidade de cuidar da família ainda grita.
O ser humano é fascinante mesmo!

Domingo, Fevereiro 01, 2009

Marie-nheira, primeira impressões

Marie me ligou agora pouco (a grande vantagem de estar em águas brasileiras é poder falar com ela).
O embarque foi bem, o trabalho é pesado mas nada que mate.
Ssegundo ela tem 30 homens para cada mulher a bordo na parte de tripulação. Perguntei se tem alguns bonitos e obviamente ela respondeu que só os italianos. Claro!
Na cozinha, onde ela trabalha, a proporção homem/mulher é ainda maior, mas não olham nem para o lado.
E foi só. Ah, ela achou que a confeitaria de navio fosse mais sofisticada, algo assim como doces das doceiras mais finas do país e o que encontrou está mais para doce de padaria. Padaria boa mas ainda assim padaria.
Meu coração ficou mais aliviado de saber que ela está bem, que dormiu, comeu e que as pessoas a bordo são gentis.
Obrigada Senhor Meu Deus!

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