Terça-feira, Março 31, 2009

ET PHONE HOME

Não é o Brasil, é o planeta Terra.
Fico olhando pro céu pra ver se a nave mãe vem me buscar mas lá de cima só me olha uma lua marota, com jeito de quem está rindo muito da minha tristeza.
Uma vez, há mais ou menos uns 20 anos, nós estavamos no Clube de Campo PV, do lado da minha casa. Naquele tempo ali só haviam duas ruas e muito mato.
Nós éramos um grupo de umas 12 pessoas deitadas na grama olhando o céu cheio de estrelas.
Ai o Enio imaginou a seguinte cena - chegava uma nave, linda, e de dentro saia um ser e nos convidava para irmos com eles, iriamos saber tudo sobre o universo e a vida, mas a condição era que não poderiamos voltar, nunca mais.
E o Enio jogou - "Quem iria?". E mais não podia ser condicional, não podia ser "eu vou se..." ou "eu vou mas...".
De todos nós só uma pessoa falou que iria, a seco - o Eric.
Me lembro que o Enio para provocá-lo falou que nós tinhamos um bebe, que ele ia me deixar sozinha.
E o Eric respondeu que sabia que eu ficaria bem e nosso filho também, mas que a vontade, a quase necessidade que ele tinha de saber o funcionamento do universo e a razão de tudo eram mais fortes que tudo para ele.
Eu fiquei muito brava com ele. Na verdade fiquei super triste porque na hora só imaginava que ele, egoistamente, só pensava em si.
Mas não era egoismo, era algo tão dele... Ele realmente precisava entender.
Hoje eu só queria entender...
E como não me é dado entender eu preciso pedir a Deus que me ajude a aceitar.
Aceitar que ele não está aqui comigo.
Aceitar que as coisas não sairam como o previsto.
Aceitar que a justiça dos homens é dos homens e só serve em beneficio próprio.
Aceitar que eu erro e tenho que arcar com meus erros mesmo que o castigo seja desproporcional ao crime.
Aceitar que por mais cansada que eu esteja eu preciso levantar e ir em frente porque a nave mãe não vem.
Hoje, sempre que eu me lembro daquela noite eu espero que o Eric tenha encontrado as respostas e que elas o tenham deixado feliz!

Domingo, Março 29, 2009

Oia! ou melhor VEJA

A revista VEJA dessa semana traduz na sua Carta ao Leitor exatamente o que penso sobre o episódio Eliana Tranchesi(Daslu) e a justiça brasileira.
Ela diz"... Eliana e seus sócios, porém, devem ser punidos apenas por seus desvios de conduta. É preciso desestimular as tentativas de enxergar na punição da dona da Daslu uma condenação também a todos aqueles que, apenas por desfrutar uma boa situação material, parecem aos olhos do populismo rasteiro, cidadãos privilegiados e imputavéis. A caça aos ricos é uma tentatação suicida que, como demonstra a história, só produz mais miséria moral, politica, economica e social...
... O Brasil daria também um passo gigantesco na luta contra os que roubam dinheiro público se aos corruptos do mundo oficial fosse dispensada a mesma e diligente orquestração de esforços de policia e Justiça que levou à condenação a dona da Daslu".

Sim o rico, como o pobre, se infringiu a lei deve pagar por isso.
Assim deveria ser a justiça no nosso país. Mas o grande problema é que quem sustenta a ladroeira dos ricos são nossos políticos.
E quem coloca os políticos mais corruptos no poder, por incrivel que pareça, não é a minoria milionária. São os pobres que vendem seus votos.
Não é a turma que compra na Daslu, sozinha, que consegue eleger um vereador, um prefeito, um governador, um deputado, um senador ou um presidente da república.
Se assim fosse os candidatos não fariam malabarismos para conseguir o voto do povão.
É o ladrão de galinha, o vendedor de dvd pirata, o camelô, a mulher que faz empadinha pra vender na praia, a professora municipal, a turma que paga a conta que vai lá e pela promessa de um emprego para o filho, de uma casinha ou que até por uma cesta básica vende seu voto.
Ele, que vendeu, teve um pequeno ganho imediato e continua pobre, e aquele que se elegeu constrói castelos, compra fazendas, e se veste (e a sua familia) na Daslu.
Pergunte a quem quer que seja que trabalhe ou conheça alguém que trabalhe (ou trabalhou lá) e verá: os maiores clientes são políticos e suas famílias.
Eu conheço uma moça que trabalhou lá e ela conta que a a mulher de um falecido senador chegava do seu estado direto de Congonhas para a loja, sentava numa das salas e pedia que trouxessem tudo o que de mais recente havia chegado (que eles já sabiam ser do gosto dela).
Passava no mínimo 5 horas na loja e gastava a cada visita algo em torno de 250 mil reais.
Pergunto: quem pagou a conta?

Sábado, Março 28, 2009

Assuntos variados (ou melhor dizendo, bobagens variadas)

Madrugada de quinta para sexta e a moçada da república naquela festa.
A vizinha de cima me chama pela janela e diz que chamou a policia.
Passa uma hora e nada da policia.
Eu vou lá na republica e tento argumentar, mas eles não dão bola. O mais atrevido deles me manda tomar calmante para dormir.
Fico possuida e ligo pra policia dizendo que se eles não vierem pelo barulho vão vir por agressão porque eu vou enfiar a mão na cara do moleque.
A policia chega, a vizinha desce e vamos nós duas e os dois policiais bater lá.
Eu falo pro garoto que atende a porta chamar o que me mandou tomar calmante (que o apelido é Catalano) porque eu estava lá com meus dois calmantes que queriam conversar com ele.
Infelizmente os policiais são bonzinhos demais e ficamos no bla bla bla whiskas.
Os cretinos depois que a policia foi embora pararam com a festa, mas uma hora depois, quando os "convidados" iam embora, cada um que saia dava um berro. Um único berro!
Eu vou processar a republica no tribunal de pequenas causas, vou processar o dono da casa.
Comprei a briga, agora me aguentem.
Ontem passei um dia de cão, tendo que trabalhar sem conseguir.
Graças a Deus tivemos uma noite de sossego e hoje estou ótima.

Na tradução que estou fazendo os franceses escrevem assim:
2.3 - Documentos Internacionais
2.4 - Documentos Estrangeiros
Hã????????????????????????????????????????????

Vou passar o fim de semana trabalhando, as always, mas pelo menos daqui há uns meses eu vou conseguir tirar uns dias de férias.

Quinta-feira, Março 26, 2009

O país dos absurdos

Não conheço Eliana Tranchesi.
Só conheci a Daslu quando era numa casinha onde as duas sócias se chamavam Lu, há mais de 30 anos, e minha mãe e minha tia de vez em quando compravam alguma coisa lá. Não era caro, não era de luxo.
Acho absurdo a mulher ser presa e condenada a 94 e meio de prisão.
Francamente, ela pode até ter cometido crime tributário mas dai a ser levada para a cadeia e ter uma sentença estúpida dessas...
Ela até pode ser presa, depois de julgada.
Mas nem a menina que foi cumplice da morte do pai e da mãe, a Suzanne sei lá das quantas, pegou tanto tempo.
Ser condenada assim porque? Porque ela é rica?
Agora dizem que se eu compro um produto contrabandeado eu tb sou culpada, então o que tem de primeira dama tanto federal, estadual e municipal que são cumplices do crime da Eliana não está no gibi.
O que tem de gente da nossa sociedade, respeitáveis cidadãos de bem que compram lá faz de todos eles culpados.
E se é por "formação de quadrilha", ah, francamente, metade do congresso nacional teria que ir para a cadeia.
O que dizer de um ex-ministro, que foi absolvido e circula tranquilamente para cima e para baixo e todo mundo, mas todo mundo mesmo sabe do envolvimento dele com a máfia mais poderosa do Brasil?
Falta seriedade aqui.
Clodovil tinha razão quando dizia que para mostrar seriedade quem manda aqui usa gravata mas esquece de usar o bom senso.
No caso dessa decisão entretanto suponho que não use gravata.
Deve ser isso, a criatura deve ter ido comprar uma roupa na Daslu e não teve dinheiro para pagar.
Se me garantissem que todos, mas todos os que nos roubam descaradamente, seja no governo ou fora dele, fossem para a cadeia eu poderia aceitar a prisão da Tranchesi.
Eu sei que ela não vai ficar na cadeia, mas também sei que o que ela e os outros que foram presos com ela estão passando é absurdo num país como o nosso.

Terça-feira, Março 24, 2009

O passar dos dias

Meus dias tem passado depressa demais porque eu trabalho demais.
Trabalhar é bom, demais, como tudo que é em demasia, não é.
Tenho aquele prazo como um revolver contra a minha cabeça e isso está me deixando tão nervosa que eu entro naquele estado de chorar por qualquer coisa.
Choro até porque o céu está azul.
Enfim, eu me propus a isso e como já disse antes aqui, nós não somos o tipo de gente de deixar cair a peteca.
Amem!

Segunda-feira, Março 23, 2009

Para Marie

Quando ela era pequenininha cantava essa música o tempo todo.
Eu tenho até hoje a fita cassete.
A tradução é mais ou menos - Meu barco vai sobre a água, meu barco a vela, meu barco se chama estrela...
Hoje ela já está no meio so oceano e meu coração vai com ela.
Filha, seja feliz! Eu te amo
Mon Bateau à Voile

Refrain :

Mon bâteau s'en va sur l'eau
Mon bâteau à voiles
Mon bâteau c'est le plus beau
Il s'appelle l'étoile

Il n'est pas bien grand vraiment
Il n'est pas bien grand
Je ne suis pas plus que lui
Mon bâteau c'est mon ami

Refrain

Quand il vient du vent souvent
Quand il vient du vent
Il ressemble à un oiseau
Qui me prendrait sur son dos

Refrain

Sa voile se tend au vent
Sa voile se tend
Et l'on chanta sans compter
Mon bâteau est un sorcier

Refrain

Il n'a peur de rien c'est bien!
Il n'a peur de rien!
Mais il n'est pas imprudent
Mon bâteau est très servant

Refrain


Quand j'aurai grandi mais oui
Quand j'aurai grandi
S'il grandit aussi un peu
Nous partirons tous les deux

Refrain

Domingo, Março 22, 2009

Fim de semana agitado

Nossa, eu não parei quieta nesse fim de semana.
Ontem teve chá de bebe da Emma.
Foi muito muito muito bom.
Abracei bastante a Naty, passei a mão na barriga e conversei bastante com a Emma. Encontrei todas aquelas amigas que eu AMO!
Abracei a Helga bastante mas nunca o quanto baste.
Comi coisas gostosas.
Voltei pra casa e trabalhei o resto da tarde até que no começo da noite o João veio aqui e fomos Patrick, João e eu tomar choppinho no boteco que abriu aqui do lado de casa.
Voltei e trabalhei mais.
Hoje levantei cedo e depois de caminhar com o Jack fui a quitanda, depois supermercado, dai guarda tudo e sentar a bunda na cadeira na frente do computador pra dar conta da cota de trampo diária.
Fim de tarde fui a pé com minha mãe e o Jack até a padaria.
Agora mais trampo.
Estou cansada mas cada vez que eu desanimo eu penso na minha Marie que está dando duro defendendo o dela lá no navio.
Eu não posso desapontá-la.
Nesse momento ela saiu de Recife e está começando a travessia para Cabo Verde na África.
A aventura dela na verdade está começando agora.

Quinta-feira, Março 19, 2009

Muito trampo

Muito!
Ainda bem.
E algumas coisas boas me deixando mais contente.
Adoro a música "Como uma Onda" do Lulu Santos porque ela reflete exatamente a vida - tudo munda o tempo tudo no mundo.
Por falar em Lulu Santos ontem paguei um mico daqueles no supermercado. Passei lá rapidinho e de repente presto atenção e está tocando uma música dele que a Marie adora, nem sei o nome da música, e na hora meus olhos encheram de lágrimas.
A caixa olhou pra mim e disse - Ai moça desculpe eu falei ou fiz alguma coisa que não devia?
Ai eu expliquei pra ela e disse que não era tristeza, na verdade é emoção de mãe!
Quando o Patrick era pequeno ele morria de vergonha quando eu ia a apresentação de qualquer coisa na escola. Sabe, aquelas festinhas que eles cantam, dançam, declamam, coisa de dia das mães, ou de festa de final de ano.
Invariavelmente eu me acabava de chorar.
A grande gozação dele e da Marie é imaginar o dia do casamento dos dois, que vão ter que levar a mãe e um lençol...rs
Exagero deles! rs

Terça-feira, Março 17, 2009

2 minutos de atenção

Não me lembro onde foi que li que o máximo de atenção que um homem dá ao que uma mulher está falando são dois minutos.
Depois de dois minutos ele pode até concordar ou discordar mas vai ser daquilo que ele ouviu dois minutos atrás. Simplesmente porque o cérebro masculino capta a mensagem principal e dá pouca atenção aos detalhes. E o cérebro feminino capta a mensagem principal mas muitas vezes dá tanta atenção aos detalhes periféricos que acaba se confundindo.
Não sei se isso tem embasamento cientifico mas já pude provar mais de uma vez que os homens nunca escutam tudo o que falamos.
Cheguei de Santos exausta e emocionalmente abalada e meu irmão me telefona de São Paulo.
Telefona porque está preso no transito a caminho do aeroporto e não tem nada melhor para fazer.
Ele esteve aqui em casa no domingo e eu falei que ia a Santos hoje, que ia levar a mamãe comigo porque seria a última vinda da Marie antes do navio começar a subida em direção a Europa.
Ai eu falo que acabei de chegar de Santos e ele me pergunta o que fui fazer lá... dãaaaaaaaaaaaaaaa
Em seguida ele pergunta se a mamãe foi comigo. Dãããããããããããããã
E por último ele me solta a pérola master - Ah, a Marie decidiu ir para a Europa?
Juro, eu não gritei com ele porque estou cansada demais para isso.
Tudo, absolutamente tudo o que ele perguntou foi o que conversamos no domingo, ou seja, ele não prestou atenção alguma.
Isso no meu irmão é normal. Inclusive é a maior queixa da minha cunhada.
Ele olha pra você, parece que está escutando, as vezes até dá um parecer sobre o assunto, mas não está prestando a mínima atenção.
Enfim, eu disse a ele o que vim repetindo para mim o tempo todo a estrada - Minha filha é uma guerreira.
Ela pode até chegar na Europa e desistir, mas não antes de chegar lá.
E sinceramente eu acho que ela só vai desistir se a coisa for muito chata. Se não tiver nada de novo para aprender.
Engraçado isso, o Eric era assim, eu sou assim, o meu filho é assim.
A gente vai até o fim. A gente se arrebenta mas não para no meio do caminho a não ser que realmente vejamos que era o caminho errado.
Não digo que isso seja uma tremenda virtude porque muitas vezes quebramos a cara durante muito tempo só pra não dar o braço a torcer.
O duro de conviver com pessoas como nós é que somos terrivelmente exigentes com os outros porque em primeiro lugar o somos conosco.
E isso faz com que levemos uma vida bastante solitária.
Well, meu bebe está indo embora para longe e eu sou devo vê-la daqui há seis meses.
Se tudo correr bem irei encontrar com ela e faremos uma viagem de mãe e filha mochileiras pela Europa.
Mas, daqui até setembro tem muita água pra correr embaixo da ponte.

Bye bye Marie

To saindo para Santos para me despedir da minha filha.
Amanhã ela estará no Rio, depois de amanhã em Ilhéus, depois Salvador, Recife e ai começa a travessia para Cabo Verde e depois Europa.
Por mais que eu seja uma mãe consciente de que os filhos não são meus, são do mundo, está doendo muito.
A gente nunca fica sem se falar e agora eu mal e mal consigo falar com ela ao telefone uma vez ou duas por semana.
Deus permita que ela seja feliz, e que cada minuto dessa experiencia seja válido.
Se eu pudesse, se eu tivesse o direito, eu pediria para ela ficar.
É absurdo, eu sei, mas coração de mãe não tem lógica mesmo.

Sexta-feira, Março 13, 2009

Meu filho

Falo muito da minha filha aqui ultimamente e quase nada do meu filho.
Não porque ele tenha menor importancia, claro, apenas porque a Marie está lá no navio e isso é assunto.
Mas o Patrick é O CARA!
Meu filho é bom! Meu filho é responsável. Meu filho é divertido.
Temos nossas divergências, principalmente no que diz respeito a maneira como ele trata a irmã. Irmãos sempre vão brigar, eu acho.
Mas ele é um rapaz formidável.
Acho que se eu tivesse que escolher um filho "no céu" não poderia ter escolhido melhor.
Quando estava para me casar sempre pensava que eu queria um casal de filhos, mas que o menino viesse primeiro, porque eu sou a irmã mais velha e a minha experiencia pessoal foi traumática...rs
Meu sonho quando criança era ter um irmão mais velho para comprar minhas brigas e não ser a irmã que tem que defender o pirralho.
Com 3 meses de casada engravidei, porque quis, durante os 9 meses eu não quis saber o sexo do bebe quando fiz as ultrassonografias. Ainda assim eu tinha certeza que era um menino.
A gravidez foi tranquila, enjoei uma única vez e tirando aquele cansaço do final, foi perfeito.
O parto foi tranquilo e ele sempre, sempre foi uma criança calma, sossegada, sem crise.
Meu filho é um lutador! Meu filho é um vencedor!
Eu sei que as pessoas que gostam de mim dizem que isso é fruto da educação, mas eu tenho certeza que 90% é do caráter e personalidade dele.
Ele é BOM!
Tive problemas com meu pai muito sérios, minha infancia e adolescencia foram marcadas por fatos muito tristes e desagradáveis.
Casei com o amor da minha vida e o perdi muito cedo.
Mas tenho certeza que para compensar Deus me deu dois filhos tão preciosos que apesar dos outros desgostos eu só posso dizer que sou imensamente feliz!

Sexta-feira

E ela pode até ser 13!
A grande vantagem de amanhã ser sábado é o fato de eu não precisar sair de casa a não ser para passear o cachorro.
Eu adoro ficar em casa!
Adoro trabalhar em casa!
Outro dia uma pessoa me disse que jamais conseguiria porque é muito solitário, que ela precisa ver gente, falar com as pessoas, interagir.
Eu gosto de gente, por incrivel que pareça, mas adoro trabalhar sozinha, na frente do computador, interagindo apenas e tão somente quando tenho vontade.
Essa é mais uma das minhas incongruências.
Sou uma ser falante, brincalhona, comunicativa e por outro lado essa enorme necessidade de recolhimento.
Enfim, hoje eu ainda tenho que dar aula para uma garota que se eu pudesse seria absolutamente honesta com a mãe e diria que ela está gastando dinheiro a toa.
A menina saiu de uma escola pública de uma cidade muito pequena para uma escola particular dificilima em Sorocaba.
Ela nunca estudou ingles e já caiu numa classe onde o pessoal lê e discute os livros que leu, tudo em ingles.
Isso não seria grave se menina tivesse vontade de aprender.
Ela não tem!
Na aula, particular, ela consegue olhar para mim com o olhar vago de quem está pensando em outra coisa.
Eu me viro em dez para atrair a atenção dela para a matéria mas é muito dificil.
Se dependesse dela, ela continuaria numa escola pública bem fácil curtindo a vida de criança.
O pior é que ela só estuda nessa escola porque a mãe trabalha lá e ela tem bolsa. Ou seja, ela não é da mesma classe social dos colegas, sente isso, manifesta isso pelo menos para mim.
Ou seja, os pais querem proporcionar o melhor ensino possivel para ela, o que é louvável, mas ao mesmo tempo a menina está sofrendo!
Não é fácil para nenhum dos lados!

Quinta-feira, Março 12, 2009

Hoje que ainda é ontem

Como eu não dormi para mim ainda é dia 11 e eu consegui finalmente falar com a Marie.
Ela está bem. Mais calma. Mais descansada ainda que chateada pela falta que faz a colega de quarto dela que desembarcou no Rio porque estava grávida.
Ela foi passear quando esteve no Rio e amanhã vai passear em Buenos Aires porque é a última ida dela lá.
Conseguimos convencer a minha mãe a ir a Santos dia 17, então será uma despedida em alto estilo.
Tenho tido bastante trabalho, o que me deixa bem satisfeita.
O Eric gostava de brincar que a gente não sabia descansar - Quando não estamos trabalhando carregamos pedra", ele dizia.
Mas é melhor ser assim!

Quarta-feira, Março 11, 2009

Conexão

A NASA consegue falar com espaçonaves na lua e por ai pelo espaço.
Eu aqui de Sorocaba só queria conseguir conexão com o telefone do navio onde está a minha filha e o maldito satélite está dando ocupado o dia inteiro.
Talvez eu devesse pedir para a NASA.
Ficar longe dela é dificil mas ficar sem poder falar com ela é horrível!

Terça-feira, Março 10, 2009

Frase

One of the very first things I figured out about life...is that it's better to be a hopeful person than a cynical, grumpy one, because you have to live in the same world either way, and if you're hopeful, you have more fun.
Barbara Kingsolver

Tradução: Uma das primeiras coisas que eu descobri sobre a vida... é que é melhor ser uma pessoa esperançosa do que uma cínica, irritável, porque você tem que viver no mundo do mesmo jeito, e se você é uma pessoa esperançosa você se diverte mais.
Barabara Kingsolver

Segunda-feira, Março 09, 2009

Humor assassino

Acordei num humor assassino.
Meu corpo paquidérmico não aguenta mais essas aventuras de 7 horas de busão com direito a mais uns minutos em onibus urbano, mais passeio em shopping santista lotado, a sala de embarque do cais ainda mais lotada.
Fico besta de ver como tem gente que viaja de navio. E não é mais época de férias. E não são só velhinhos ou mulheres de meia-idade aposentadas.
São familias inteiras com crianças e adolescentes que com certeza vão perder 10 dias de aula.
E pelo menos no navio que a Marie trabalha a coisa não é barata.
Ontem eram 3 navios de passageiros embarcando montes e montes de gente.
Uma funcionária da Concais comentava com um colega no ponto de onibus que já eram 17 hs e ainda estavam embarcando gente. (Os navios partem as 18 hs).
Todos os cafés e restaurantes do cais estavam lotados, não tinha lugar nas cadeiras de espera e ainda tinha gente em pé do lado de fora.
O calor cedeu um pouco, amem, mas meu corpo só quer cama!
E o cachorro, neurótico, fica se lambendo, comendo as patas e eu tenho vontade de jogá-lo pela janela.
SIM, EU ESTOU RECLAMANDO! rs
Hoje eu queria estar em Ubatuba, na praia do Lázaro, na frente do bar do Peres, olhando pro mar, pro céu e tomando água de coco sem me preocupar com nada.

Domingo, Março 08, 2009

Penultima ida a Santos

A cada dia está mais dificil deixá-la lá.
Eu sei que é uma covardia terrível da minha parte mas apesar dela estar bem, está muito, muito cansada.
Tem tido dias de 15 horas de trabalho e uma coisa me chocou: ela saiu do navio para passear comigo sem brinco, sem batom.
Marie NUNCA sai sem brinco e batom.
Uma amiga dela me disse que não é para eu acreditar no que vejo porque eles (os tripulantes) sempre desabam quando veem a família, mas que no dia a dia a coisa até que é divertida.
Pode ser.
Mas depois do dia 17 ela não vai ter a mamãe pra desabafar até setembro e isso me mata.
Eu sei que também é o fato de eu estar cansada, enfrentar muitas horas de transporte e o calor terrivel que está fazendo, mas assim que entrei no onibus e me vi sozinha eu chorei de soluçar.
Chorei das pessoas ficarem olhando para mim mas eu não conseguia parar de chorar.
Todo mundo diz que é bom para ela, que é uma experiencia para a vida toda e blá blá blá whiskas, mas mãe quer ver o filho sorrindo de orelha a orelha.
Enfim...não depende de mim! Só posso rezar e pedir a Deus que a guie, a oriente e que ela escolha o que realmente for melhor para ela.

Sábado, Março 07, 2009

Não tenho mais idade...

pra aguentar uma semana como essa.
Falar do calor horrivel que fez é um lugar mais que comum. Qualquer ser humano que não viva cercado de ar condicionado sofreu as penas do inferno.
Ai dá pra entender porque quando se fala de inferno é relacionado com calor.
E além do calor muito, muito trampo.
São duas coisas que não combinam.
Espero, sinceramente, que a semana que vem seja mais calminha em todos os sentidos.
Agora estou fazendo hora para ligar para minha filha, e meus olhinhos estão fechando devagar.

Quinta-feira, Março 05, 2009

Solucionadeor de problemas


Quarta-feira, Março 04, 2009

Solidão é estado de espirito

Minha tia Alice, irmã caçula do meu pai, tem 90 anos e vive completamente sozinha.
Há 13 anos ela perdeu a única filha. Uns tres anos depois o marido.
A família do lado do meu pai já não era grande ficou reduzida a meu irmão, minha tia e eu.
Tia Alicinha (como ela é chamada pela gente) nunca aceitou morar com ninguém. Nem mesmo sair do apartamento onde ela vive há mais de 30 anos.
Ela tinha um passarinho mas ele também morreu.
Hoje vive cercada de plantas.
Quando a gente pergunta se ela não se sente muito só ela dá risada e responde que de qualquer forma nós vamos sozinhos pro túmulo.
Segundo ela o negócio e não deixar a mente vazia.
Ela acordou e liga a televisão enquanto prepara o café.
Depois lê o jornal ouvindo rádio.
Duas vezes por semana tem a companhia da faxineira.
Todos os dias ela almoça fora. Num restaurante por quilo perto do prédio onde mora, nesse local fez muitos amigos e sempre fica batendo papo depois do almoço com a dona do restaurante.
A tarde se ela não tem compras para fazer, médicos ou contas para pagar em bancos ela vai visitar as vizinhas ou vai até um shopping.
A noite ela come um lanche e assiste novelas e filmes.
Todos os dias o Fernando, que era zelador do prédio mas já se aposentou, passa para dar uma olhada nela.
Claro que ela cria doenças imaginárias, é bem hipocondriaca. Mas ela há era antes de ficar só.
Uma coisa que ela diz que sempre me chama a atenção pela clareza de espirito é que tem muita gente que mora com várias pessoas na mesma casa e não tem com quem conversar, não tem com quem partilhar o que sente. Ou seja, é só.
Ela tem razão quando diz que iremos sozinhos para o túmulo.
Isso não nos obriga a viver sozinhos mas nos faz enxergar que precisamos ser boas companhias para nós mesmos. Afinal, só temos certeza de convivermos conosco mesmos por toda a nossa vida....rs

Segunda-feira, Março 02, 2009

Gentileza e grosseria

As duas palavras começam com "g" e isso é a única coisa que tem em comum.
Gentileza nunca é demais, nunca é fora de hora, nunca é fora de moda.
Grosseria nunca é engraçado, ainda que muitas pessoas achem que para fazer graça podem fazer uso dela.
Existe a grosseria descarada e a grosseria disfarçada. Essa última só engana quem a está cometendo.
Meu pai tinha um amigo, o Fábio, que adorava cometer grosserias para ser engraçado. Ou como diz minha mãe, usar os outros para ser engraçado.
O filho de um conhecido tinha ganho um cachorro pastor alemão de raça pura, filho de pai e mãe campeões e o menino estava muito orgulhoso do bichinho. O Fábio chegava na casa dele e falava para o menino "traz aqui o saco de merda para eu dar uma olhada".
Outro dia uma pessoa que eu conheço precisava de um técnico para o computador e outra que estava perto disse que o irmão fazia esse serrviço.
A primeira disparou - "Qual o nome do trombadinha?".
E a outra - "Que trombadinha?"
- "O teu irmão!" e riu.
A moça cujo irmão é técnico de computador olhou bem e disse - talvez na sua família tenha trombadinha mas na minha com certeza não tem, acho melhor você procurar outra pessoa.
E a que fez a piada ficou se desculpando e depois dizendo que a outra era suscetível.
Odeio gente assim.
Não custa falar algo agradável.
Não custa fazer alguém feliz.
Nâo custa fazer um gesto de boa vontade.
São coisas pequenas que podem fazer a diferença no dia de alguém.
Outro dia no navio, eu já estava para ir embora e o chef acho que percebeu que eu estava meio sacudida de deixar a minha filha e apesar de eu já ter me despedido dele veio até mim. Eu estava de costas e ele colocou uma mão no meu ombro e quando eu me virei ele disse - Senhora, vá tranquila. Nos cuidaremos da sua menina.
Ele não tinha porque fazer um gesto desses. Ele nunca havia me visto antes e minha filha é só mais uma tripulante.
O pequeno gesto de gentileza dele me fez imensamente feliz.

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